Técnicas operatórias
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Existem várias opções intervencionistas ao tratamento da obesidade mórbida, podendo ser agrupadas em três justificativas fisiológicas
1- técnicas restritivas (diminuem a capacidade de ingesta pelo indivíduo) 2- técnicas disabsortivas (menor capacidade de absorção dos alimentos)
3- técnicas mistas (associam ambos mecanismos de perda ponderal e apresentam melhores resultados a longo prazo)
Procedimentos Intervencionistas para Tratamento da Obesidade Mórbida
Técnicas Restritivas: Balão Intragástrico, Cerclagem Dentária, Cirurgia de Mason, Banda Gástrica Ajustável.
Técnicas Disabsortivas: Cirurgia de Payne, “Bypass” Jejunoileal Modificado.
Técnicas Mistas: Cirurgia de Fobi-Capella, Scopinaro, Scopinaro modificada por
Domene, Duodenal switch, Wittgrove.
As técnicas que mais utilizamos são as mistas. À semelhança da maioria dos cirurgiões brasileiros e norteamericanos, a técnica realizada com maior freqüência é a gastroplastia vertical e “Bypass” gástrico em “y de Roux” (cirurgia de Fobi-Capella).
As técnicas puramente disabsortivas são as mais antigas e tem seu uso muito limitado (praticamente em desuso) devido às diversas complicações relacionadas e ao surgimento de técnicas mais eficientes e apropriadas.
Na técnica de Duodenal switch a porção removida do estômago é a grande curvatura. Nessa técnica é preservada a primeira porção do duodeno (parte inicial do intestino delgado) que é anastomosada (suturada) ao íleo (parte distal do intestino delgado). As vantagens sobre a cirurgia de Scopinaro são : menor quantidade de diarréia, menos distúrbios da absorção de vitaminais e minerais.
O “padrão ouro” da cirurgia bariátrica é a gastroplastia vertical com “bypass” gastrojejunal. O estômago é grampeado e dividido em dois, uma parte menor que irá funcionar normalmente (neoestômago) e uma parte maior que não funcionará mais como reservatório de alimentos (estômago excluso). A parte menor é responsável pela saciedade referida pelos pacientes com pouca quantidade de alimentos, ela é conectada ao intestino delgado reconstruindo o trânsito alimentar deixando 1,5m de intestino sem receber o conteúdo biliopancreático. Uma nova anastomose (emenda) entre partes do intestino delgado faz com que o suco biliopancreático e o conteúdo produzido no estômago excluído sejam conduzidos ao trânsito intestinal (Figura 4). Na técnica de Fobi-Capella é colocado ainda anel de silastic ao redor do neoestômago, retardando seu esvaziamento. Com essa modalidade de cirurgia ocorre em geral perda de 30 a 50% do peso inicial, conforme seja colocado anel ou não e dependendo dos hábitos de vida do paciente. Apresenta menores complicações nutricionais que as técnicas de Scopinaro e Duodenal switch. Sendo a cirurgia que indicamos com maior freqüência.
Os doentes candidatos à essa modalidade terapêutica devem contar com equipe multidisciplinar para avaliar, conjuntamente com o cirurgião, a indicação cirúrgica (Endocrinologista), estabilidade psíquica (Psicóloga), perfil alimentar (Nutricionista) e a condição clínica / “risco cirúrgico” (Cardiologista e demais equipes de apoio que são acionadas conforme necessidade). A equipe deve ter formação democrática onde todos possam suspender ou adiar cirurgias ao diagnosticar que o paciente ainda não se encontra apto à operação. A cirurgia bariátrica é considerada como cirurgia de alta complexidade, mas na verdade complexos são os doentes obesos graves com suas morbidades, que devem ser adequadamente avaliados e preparados no período pré-operatório.
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