OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Os textos a seguir são dirigidos principalmente ao público em geral e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes de cada assunto abordado. Eles não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores às informações aqui encontradas.

Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal.


No contexto, a frase é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida (tradução livre):

Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude.
orandum est ut sit mens sana in corpore sano.
fortem posce animum mortis terrore carentem,
qui spatium uitae extremum inter munera ponat
naturae, qui ferre queat quoscumque labores,
nesciat irasci, cupiat nihil et potiores
Herculis aerumnas credat saeuosque labores
et uenere et cenis et pluma Sardanapalli.
monstro quod ipse tibi possis dare; semita certe
tranquillae per uirtutem patet unica uitae.
(10.356-64)

A conotação satírica da frase, no sentido de que seria bom ter também uma mente sã num corpo são, é uma interpretação mais recente daquilo que Juvenal pretendeu exprimir. A intenção original do autor foi lembrar àqueles dentre os cidadãos romanos que faziam orações tolas que tudo que se deveria pedir numa oração era saúde física e espiritual. Com o tempo, a frase passou a ter uma gama de sentidos. Pode ser entendida como uma afirmação de que somente um corpo são pode produzir ou sustentar uma mente sã. Seu uso mais generalizado expressa o conceito de um equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mens_sana_in_corpore_sano


sábado, 25 de janeiro de 2014

Alimentação prática e saudável para toda a família

Opte por uma alimentação saudável para a família.Hábito alimentar da criança está relacionado ao costume dos pais; 

cardápio simples e nutritivo no café da manhã garante disposição aos filhos durante o dia




A agitação do dia a dia, atrelada à falta de tempo e de horário fixo para as refeições, prejudicam a qualidade da nossa alimentação. Com a chegada dos filhos, a vida fica ainda mais corrida e, neste momento, produtos industrializados começam a ser alternativa no cardápio da família. Um erro frequente, que pode prejudicar as crianças no que se refere ao hábito alimentar.

A alimentação na infância está intimamente ligada ao comportamento dos pais. Segundo a pediatra do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Daniele Serra, desde a fase do nascimento, até o início da vida adulta, os filhos se espelham nos pais para identificar o que é saudável. “A mãe deve manter a amamentação materna e saber mostrar os benefícios, não só na questão nutritiva, mas no vinculo afetivo com o filho.”

A convivência da criança em grupo é a fase que necessita de mais atenção. Quando o filho sai da "barra da saia" dos pais e entra na escola é hora de começar a mostrar a importância de uma alimentação adequada, a começar pelo café da manhã. “Em casa é preciso ter uma comida balanceada, nutritiva e estimular o filho a experimentar os alimentos”, reforça a médica.

O ideal é preparar lanches saudáveis e evitar os prontos e mais práticos. “É neste momento que já se podem ver hábitos que estimulam a obesidade infantil”, alerta a especialista. “Nesta fase, é importante saber se o cardápio da escola é elaborado por nutricionista, visitar a cozinha para ver a higiene e conversar com outras mães, pois, muitas vezes, as crianças têm suas principais refeições na escola”, orienta.

O excesso de peso e a subnutrição deixam as crianças mais suscetíveis a doenças crônicas, como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares e metabólicas na própria infância ou na fase adulta. “Diabetes, hipertensão, hipertrigliceridemia são alguns exemplos”, esclarece Daniele.

O momento correto para consolidar o hábito alimentar do filho é durante a infância, e começa com a primeira refeição. Na adolescência, quando a fase está praticamente estabelecida, fica complicado corrigir os erros. “A harmonia entre pai e mãe, quanto às proibições e o que é liberado (para comer), é importante”, enfatiza a pediatra, ao reforçar que a falta de direcionamento prejudica o filho tanto na parte nutricional, quanto emocional.

E fast-food, pode?

A propaganda cumpre seu papel. No momento em que as pessoas parecem mais preocupadas com o trabalho do que com a saúde, os meios de comunicação – intervalos comerciais, novelas, filmes e os tradicionais outdoors – estimulam o consumo de refeições rápidas, as chamadas fast-foods.

Uma opção arriscada quando foge do limite, principalmente no café da manhã. “Na grande maioria, não são estímulos saudáveis. Sempre muitas imagens tentadoras, o que leva a curiosidade ou desejo destes alimentos”, pondera a pediatra.

Na avaliação de Daniele, propagandas mais moderadas e a ideia de proibir a venda de brinquedos vinculados a refeições ajudam a evitar uma alimentação inadequada. “Propagandas com famosos, celebridades e ídolos infantis estimulam o desejo pelo produto. Assim como a venda casada de alimento e brindes infantis. Na maioria das vezes, com grande teor de açúcares, gordura, sódio e entre outros".

Independentemente da discussão – que parece não ter fim e já é tema de projetos de lei de parlamentares que defendem a proibição da comercialização de brindes com comida – o fast-food continua como opção favorita dos consumidores agitados. Mas, apesar de considerar imprópria a alimentação rápida, a especialista adverte que é preciso moderação e ressalta: “A educação alimentar sempre será de responsabilidade dos pais.”

Opções nutritivas para o café da manhã
Parece complicado, mas não é. Produtos naturais e industrializados podem fazer parte do mesmo cardápio e garantir uma alimentação saudável. Para as crianças e os adultos ficarem dispostos e bem alimentados durante todo o dia é preciso garantir que a primeira refeição – a mais importante – seja feita de maneira correta.

“Nosso corpo continua trabalhando durante a noite e gastando energia, portanto, após um período de jejum é necessário fornecer ao organismo os nutrientes necessários para garantir energia e disposição”, ressalta a nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Cyntia Bassi.

Para ajudar, a especialista preparou três opções cardápios de café da manhã para toda a família e que varia individualmente. “Temos sugestões para a semana, quando devemos nos atentar para o equilíbrio de nutrientes, para os finais de semana, quando é possível sair um pouco da rotina, porém, sem esquecer de incluir alimentos saudáveis. E, enfim, para situações quando é necessário um aporte maior de energia.”

Durante a semana:
Opção 1
1 copo de iogurte natural
2 fatias de pão de forma integral
Ricota temperada
1 copo de suco de laranja

Opção 2
1 copo de leite com 2 colheres rasas de achocolatado
1 pão francês
1 ponta de faca de margarina
1 fatia de mamão
            
Opção 3
1 copo de café com leite
4 bisnaguinhas com requeijão
1 banana picada com aveia

No final de semana:
Opção 1
1 copo de iogurte de frutas
2 fatias de pão de forma
1 fatia de presunto
1 fatia de queijo mussarela
1 fatia de melão

Opção 2
1 copo de suco de manga
2 biscoitos de água e sal com cream chese
2 biscoitos de água e sal com creme de chocolate
1 pote de queijinho petit suisse
            
Opção 3
1 copo de suco de soja
1 fatia fina de bolo simples
1 fatia de pão de forma com 1 ponta de faca de margarina
1 pera

Café da manhã reforçado:
Opção 1
1 copo de leite integral batido com iogurte natural e 2 colheres de achocolatado
1 pão francês
1 fatia de blanquet de peru
1 fatia de queijo branco
2 torradas com mel
1 xícara de morangos

Opção 2
1 pote de mingau de farinha láctea
1 pote pequeno de leite fermentado
1 croissant médio com 1 ponta de faca de margarina
1 copo de suco de melancia

Opção 3
1 tigela de leite integral com cereal matinal
4 torradas com geleia
2 unidades de biscoito doce sem recheio
1 pote de salada de frutas com 1 colher de mel e granola


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Lanche da tarde - Pete Camargo

Lanche da tarde

Amores, quando no meu lanche da tarde tem carboidratos , não como carbos no jantar.
Esse equilíbrio ajuda no processo de emagrecimento.

Momento beleza

Mulherada vaidosa, adorei o esmalte da Sefhora.
Gostei do pincel que é chato , maus fácil de espalhar.
A cor é 207 3A, a cara do verão.

Dica de compras

Obrigada Pêge Laticínios por esse kit de queijos Roni.
Esse minas frescal é campeão, e com certeza vai estar presente no meu café da manhã e lanche da tarde.
Meus amigos, experimentem!

Café da manhã

Os bons resultados da sua RA aparecem quando você aprende a fazer trocas e variar seu cardápio.
Anote aí:
3 claras batidas +1 gema
Salsinha e cebolinha
1 colher de chá de parmesão
1 frigideira boa só para preparar os ovos untada
1 belo pedaço de melão, a fruta do verão
cafezinho...

Dúvida...

Será que vale à pena continuar??
A resposta está aí!

Filé de frango no suco de laranja

Aí que delíciiiiiiia que ficou esse peito de frango.
Claro que a qualidade do peito fez a diferença no resultado final. 
Comprei o peito da Kōrin ontem,  lembram?
Posso dizer que a carne é de consistência firme, porém  macia.
 Parabéns  Kōrin pela qualidade dos produtos.
Sua RA está muito perto de você, na sua comida simples do dia a dia!
Anote aí:
2 filés de peito de frango Kōrin temperados com tomilho fresco, um pouco de hortelã fresca picada, azeite, sal e gotas de limão e 1 colher de chá de mostarda.
1xíc.de café de suco de laranja
1 colher de chá de mel
1 colher de sobremesa de azeite 
2 ramos pq.de alecrim 
Deixe marinar pelo menos 1 hora guardado na geladeira .
Em uma boa frigideira coloque o azeite, aqueça e deite seus filés deixando em fogo alto para selar e diminua depois para cozinhar.
Acrescente o alecrim fresco, opcional .
Quando os filés estiverem quase prontos, acrescente o suco de laranja misturado com o mel.
Deixe reduzir e pronto, bom apetite!

Gente, esse mel é o meu queridinho do momento!


Está na faixa da obesidade? Você merece uma dieta especial

Acompanhamento nutricional e psicológico ajuda a recuperar a forma

Por Minha Vida - publicado em 31/07/2009

A obesidade no Brasil cresceu de 11,4% - em 2006 - para 15% este ano. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (18), fazem parte da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que em 2010 entrevistou 54.339 adultos, nas 27 capitais.

Pessoas obesas, que estão com o IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30, precisam de uma dieta bem mais focada porque, somado ao peso em excesso, provavelmente já começam a despontar problemas como diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, entre outras complicações . "O que precisamos é fazer com que esse indivíduo saia o mais rápido possível desse quadro. Por isso, que ele merece atenção especial", alerta a nutricionista Flávia Bulgarelli Vicentini, da Casa e Movimento.

De acordo com a especialista, a reeducação alimentar precisa estar em primeiro plano, já que o excesso de peso é, em grande parte, decorrência de erros tremendos cometidos na hora das refeições. "Normalmente, uma pessoa que está na condição de obeso, com risco de complicações, está sedentária e perdeu todo o controle que tem sobre o ato de se alimentar", diz. A nutricionista ensina seis mandamentos imprescindíveis para perder peso e levar uma vida mais saudável.
Motivação na dieta
1. Não deixe o desânimo sabotar a dieta
Imagine perder de 3 a 4 quilos em uma semana. Parece milagre, não? Mas não se iluda com esses números e com a velocidade em que os quilos vão embora. Segundo a nutricionista, isso é muito comum quando pessoas obesas decidem enfrentar o regime, mas é preciso entender que, com o passar do tempo, a perda de peso será bem mais lenta. "No início do tratamento, a pessoa irá perder muito mais do que um indivíduo que está com sobrepeso, porque o gasto energético aumenta conforme o peso e o seu volume corporal. Depois dessa etapa inicial, o que se espera é uma perda gradativa em torno de 500 gramas por semana", diz a nutricionista. Mas não deixe isso ser motivo para o desânimo invadir seu programa de reeducação alimentar.

Para ganhar motivação, que tal pensar em todos os benefícios que você poderá aproveitar quando estiver mais magro e saudável? "Um bom exercício mental é pensar em coisas que gostaria de fazer se estivesse com menor quantidade de gordura corporal, por exemplo, comprar uma roupa nova e se sentir mais atraente; ter mais disposição para o dia a dia; ter mais credibilidade profissional; melhorar o físico ou ir à praia sem se sentir constrangido", afirma a especialista. 
Exercício físico
2. Não abandone o prazer das refeições
Um dos grandes dramas para as pessoas que estão acima dos 100 quilos é que como, em geral, elas sentem um enorme prazer em comer, acreditam que a dieta vai minar essa sensação. "O prazer no momento da refeição não precisa acabar, por isso é importante ter um momento reservado no dia a dia dedicado à alimentação. O que elas precisam fazer é conhecer a imensidade de pratos deliciosos que se encaixam ao regime", lembra Flávia.

3. Mexa-se e empurre o metabolismo
Não adianta botar a culpa no metabolismo toda vez que o ponteiro da balança dá um salto, ainda mais quando a alimentação é altamente calórica e você se exercita quase nada. "O metabolismo de uma pessoa que está muito acima do peso é parecido com o de uma pessoa que está dentro do peso normal. Existem algumas predisposições, como no caso de pessoas que tenham os pais obesos e apresentam mais dificuldade de se manter dentro do peso ideal, mas não é por isso que eliminar os quilos extras seja um problema", alerta Flávia Bulgarelli Vicentini. O ponto de partida, nesse caso, é movimentar o corpo para turbinar a queima de gordura. O fato de estar pesado demais pode ser uma limitação para uma série de exercícios, mas nem por isso elimina outras possibilidades. "A ajuda de um educador físico é fundamental para determinar quais atividades são possíveis para não ocorrerem problemas nas articulações", afirma.

4. Enxergue o lado positivo da dieta
Antes de começar a dieta, já está pensando que fácil mesmo seria apostar em métodos mais drásticos e rápidos de emagrecer, como uma cirurgia? De acordo com Flávia, as cirurgias são aconselhadas somente para quem corre risco de vida. "Pessoas que têm a indicação de cirurgia são aquelas que chegaram ao extremo da obesidade (IMC maior do que 39,9) e se não perderem peso rapidamente podem chegar a óbito", alerta a especialista. Vale lembrar que os efeitos pós-cirurgia exigem um esforço tremendo de adaptação física e psicológica. "Se o paciente não modifica os hábitos alimentares, ele pode voltar a engordar", diz.

5. Aprenda a controlar o apetite
Acha que a vontade de comer é muito mais forte que você? A seguir, confira as dicas da nutricionista para domar esse sentimento.

- Coma com tranquilidade. Sente-se para comer e mastigue devagar. A refeição deve demorar, no mínimo, 20 minutos. Este é o tempo que leva para o seu organismo se sentir satisfeito.

- No momento das refeições (inclusive café da manhã e lanches), deixe os alimentos fora do seu alcance de visão. Sente-se à mesa com o prato feito. Isso evita os beliscos desnecessários.

- Hidrate-se. O organismo demora para enviar a sensação de sede e, muitas vezes, ela é confundida com fome.

- Coma de 3 a 5 frutas por dia. O áçucar da fruta ajuda a inibir a vontade de comer doces, além dessa turma ser ricas em fibras, vitaminas e minerais.

- Consuma verduras e legumes no almoço e no jantar. Varie a cor e o modo de preparo desses alimentos. As fibras auxiliam no processo de saciedade, e as vitaminas e os minerais que eles contêm colaboram com a perda de peso, porque ajudam a diminuir a ansiedade e turbinam o gasto calórico.

- Fique longe das tentações. Se a caixa de bombom fica no armário, fica bem mais complicado resistir a ela. Evite ter em casa alimentos gordurosos e ricos em açúcar, que são os perigos da dieta.  
6. Procure trabalhar a mente
Aliar a dieta a um tratamento psicológico ajuda um bocado quando o assunto é perder muito peso. Esse tipo de acompanhamento é recomendado para quem está desmotivado, com a autoestima baixa e a autoconfiança abalada. E, com a mente em equilíbrio, o propósito de mandar os quilos embora fica mais firme e incorporado à rotina. "Além de modificar os hábitos alimentares, as pessoas vão aprender a controlar os fatores emocionais que a levaram a ganhar peso", diz a nutricionista.

18 maneiras de seguir uma alimentação saudável

Nutricionistas entregam as dicas para comer bem e viver mais

Por Fernando Menezes - atualizado em 31/08/2010


Ter uma alimentação saudável é essencial para alcançar uma maior qualidade de vida. O abuso de alimentos ricos em gorduras saturadas, sódio e açúcares é um gatilho para doenças como infarto, derrames, hipertensão, obesidade, diabetes e até câncer. Em contrapartida, é fácil incluir no cardápio alimentos heróis da resistência e da longevidade. Por isso, o Minha Vida convocou um time de especialistas para entender os bons hábitos que cada um deles indica para o seus pacientes, mas também segue como se fosse um mantra.

1.Não fique sem comer
"O mais importante é não passar longos períodos sem comer. Fazer pequenos lanches entre as grandes refeições é fundamental, pois ao restringir energia o metabolismo tende a ficar mais lento, como uma forma de poupar energia que lhe foi fornecida, o que acaba dificultando a perda de peso. Além disso, provavelmente a pessoa irá comer mais na próxima refeição, buscando alimentos mais calóricos, como uma forma de compensação, o que também resultará em ganho de peso." (Carla Fiorillo, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo)
alimentação saudável
2.Sinta prazer comendo
"A alimentação também é fonte de prazer. Não se torne escravo de dietas e calorias, pois existem cada vez mais estudos que evidenciam que pessoas que se preocupam demais com a forma física tendem a sofrer maiores oscilações de peso, além de serem insatisfeitas com o próprio corpo. Estar bem consigo mesmo e cuidar do corpo com atividade física e alimentação saudável são as melhores formas de obter uma boa qualidade de vida." (Carla Fiorillo, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo)

3.Busque alimentos naturais

"Siga uma alimentação o mais natural possível e tente fugir de refeições com muitos produtos industrializados. Se comer um macarrão industrializado, faça você mesmo um molho caseiro. Se quiser tomar um suco de frutas, tente tomar o natural, pois os alimentos industrializados contêm muitas substâncias como corantes e conservantes, que possuem altas quantidades de sódio e podem, em longo prazo, causar hipertensão e sobrecarregar os rins." (Daniela Cyrulin, nutricionista da USP e da Instituto Saúde Plena)

4. Faça substituições
 "Tente substituir alimentos mais pesados e gordurosos por versões mais leves sempre que possível: faça macarrão de palmito pupunha desfiado, arroz de couve-flor cozida, troque o presunto por peito de peru, compre o atum em água no lugar do atum em óleo, troque os queijos gordurosos por versões mais leves como o queijo cottage e a ricota, substitua o queijo parmesão ralado por ricota defumada e ralada." (Daniela Cyrulin, nutricionista da USP e da Instituto Saúde Plena)
"O mais importante é perceber que nenhum alimento é proibido.O famoso "prato colorido" é sem dúvida o mais saudável"
5. Escolha o lugar certo para comer
"As refeições devem ser feitas em lugares tranquilos e sem pressa. Comer bem devagar, sem pensar em compromissos e mastigar muito bem os alimentos fará com que você se sinta saciado mesmo ingerindo uma menor quantidade de comida. Também evite comer assistindo televisão, na frente do computador ou trabalhando, pois nessas situações perdemos a noção da quantidade de comida que estamos ingerindo." (Lidiane Martins, nutricionista diretora do NutryUp)

6.Fuja da farinha

"Uma pessoa que está buscando uma alimentação mais saudável deve evitar produtos com farinha refinada, como massas, bolos, biscoitos e alimentos processados, ricos em gordura e açúcar, como pipoca de microondas, sopas prontas cremosas, preparações congeladas, batatas chips e salgadinhos. Também vale caprichar em ervas aromáticas para temperar a comida como: alho, cebola, salsa, cebolinha, manjericão, alecrim, louro, orégano, sálvia, curry, açafrão e coentro" (Lidiane Martins, nutricionista diretora do NutryUp)

7. Coma de tudo
"O mais importante é perceber que nenhum alimento é proibido, a não ser que a pessoa precise fazer uma dieta restritiva, caso seja paciente de diabetes ou doença celíaca, por exemplo. É muito comum que as pessoas pensem que comer só salada é uma boa forma de manter a alimentação saudável, mas isso não é verdade. O famoso "prato colorido", ou seja, aquele que tem uma fonte de fibras, minerais, vitaminas e proteínas é sem dúvida o prato mais saudável". (Roberta De Lucena Ferretti, nutricionista e professora do curso de nutrição clínica na Universidade Gama Filho)
Almoço
8. Estabeleça metas para a semana
"Além disso, pensar em longo prazo e criar um hábito saudável é muito importante. Dificilmente a pessoa consegue ingerir todos os alimentos que são fontes de vitaminas que o corpo precisa em um dia. Para isso, ela teria que comer vários tipos de frutas, carnes, legumes e verduras todos os dias. O melhor é fazer as metas para toda a semana. Fica mais fácil distribuir a alimentação adequada nesse período" (Roberta De Lucena Ferretti, nutricionista e professora do curso de nutrição clínica na Universidade Gama Filho)

9. Seja persistente
"Muito provavelmente, a mudança para uma alimentação adequada não ocorrerá do dia para a noite. Você deverá provar alimentos que não são de costume como frutas, legumes, verduras. Aceite que o paladar deverá ser estimulado. Desistir na primeira tentativa é um erro. Todos os dias, selecione alguns desses alimentos. Não gostou? Prove novamente. Tudo bem se você rejeitar, inicialmente. Mas desistir na primeira tentativa é subestimar o seu poder de mudança." (Roberta Stella, nutricionista chefe do programa de emagrecimento Dieta e Saúde)

10. Escreva sobre suas refeições

"Comece a fazer um diário alimentar. Escreva todos os alimentos ingeridos durante o dia, as quantidades e horários em que fez as refeições. Facilmente, você perceberá o erro e onde está o excesso. O diário alimentar servirá como um puxão de orelha para quem está fazendo uma alimentação inadequada. Mas, por outro lado, dará um estímulo grande quando perceber que está com disciplina e determinação, conseguindo colocar alimentos saudáveis em todas as refeições e reduzindo a quantidade dos alimentos menos saudáveis." (Roberta Stella, nutricionista chefe do programa de emagrecimento Dieta e Saúde)

11. Hidrate-se
"Beba pelo menos dois litros, mais ou menos oito copos de água todos os dias. A água ajuda na hidratação da pele e é fundamental como meio de transporte de algumas vitaminas hidrossolúveis como a vitamina B1, B2, B6, B12 e a vitamina C. Além disso, a água é essencial para que o corpo fique disposto durante todo o dia." (Rosana Farah, nutricionista e professora dos cursos de graduação em nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie)

12.Ataque as frutas
"Consuma entre três e cinco porções de frutas todos os dias. Laranjas, maçãs, peras, melancia, tangerina, entre outras, são as melhores fontes naturais de vitaminas, minerais e fibras. Esses três componentes auxiliam o bom funcionamento do nosso intestino e auxiliam o nosso metabolismo a continuar ativo mesmo nos intervalos entres as refeições." (Rosana Farah, nutricionista e professora dos cursos de graduação em nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie)

13. Deixe o açúcar de lado
"Alimentos que têm uma grande quantidade de açúcar refinado são dotados de processos químicos na sua produção e possuem altíssimo índice de glicose, que aumentam os índices de glicemia do corpo. Essas características, aceleram o envelhecimento, aumentam flacidez por desestruturar o colágeno da pele e ainda possuem calorias, porém são desprovidos de nutrientes. Hoje em dia encontramos adoçantes naturais como a sucralose, derivada da cana de açúcar, porém sem calorias e sem alto índice glicêmico e a stevia, derivado de uma planta natural." (Daniela Jobst, nutricionista da Clínica NutriJobst)

14. Consumir alimentos fontes de antioxidantes

"As substâncias antioxidantes bloqueiam a ação dos radicais livres no organismo, prevenindo a oxidação das células. Esses elementos são capazes de prevenir o aparecimento de tumores, o envelhecimento precoce e outras doenças. Alimentos com cores fortes, como tomate, goiaba, romã, cenoura, abóbora, manga, açaí, berinjela, uva, folhas verdes, legumes e brócolis, são ricos em antioxidantes." (Daniela Jobst, nutricionista da Clínica NutriJobst)
15.Saiba o que você está comendo
"O essencial é entender que as calorias são o combustível para o nosso organismo e que, sem elas, o nosso corpo fica sem energia. Escolher os alimentos só pelo número de calorias não é o mais indicado. Muitas vezes as calorias não são os principais perigos dos alimentos. O que na verdade faz toda a diferença na hora de uma alimentação saudável é a qualidade de nutrientes. A quantidade de gorduras, por exemplo. Por isso é importante ler os componentes de cada alimento." (Camila Leonel, nutricionista e Especialista em Adolescência Universidade Federal de São Paulo)

16.Saiba combinar os alimentos
 "O segredo da boa alimentação está em combinar todos os tipos de nutrientes como carboidratos, proteínas, gorduras, minerais, vitaminas, fibras e água. A regra geral é que não há um tipo de alimento que deva deixar completamente a sua dieta, mas sim quantidades de nutrientes que devem ser controladas. Tudo é uma questão de variar o cardápio, não deixar de fora nenhum tipo de alimento e sempre comer em pequenas porções ou quantidades." (Camila Leonel, nutricionista e Especialista em Adolescência Universidade Federal de São Paulo)

17. Coma sem medo
"Hoje são tantas informações sobre a alimentação que as pessoas ficam com medo de comer. Quem procura uma dieta já não sabe mais se é bom ou não comer certo alimento, se é saudável deixar de ingerir certas comidas ou que tipo de substância engorda. Comer é importante, vital para a vida. Para quem tem dúvidas sobre dietas, a alimentação básica que nossos avôs conheciam e praticavam, ainda é uma boa dica por ter todos os tipos de nutrientes que o corpo precisa." (Ana Maria Roma Devorais, nutricionista especializada em distúrbios alimentares)

18. Procure o que você gosta
 "Comer de tudo um pouco, de todos os grupos de alimentos. Cereais (prefira as versões integrais), grãos, carnes/aves/peixes, frutas, verduras, leite e derivados e até mesmo as guloseimas. Praticar uma alimentação saudável também é saber comer alimentos "não tão saudáveis", mas que são apetitosos e fazem parte da cultura, da tradição de uma família. Não dá para comer só guloseimas , mas não podemos deixar colocar em nossas refeições aquelas comidas que dão sensação de bem-estar." (Ana Maria Roma Devorais, nutricionista especializada em distúrbios alimentares) 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Dieta das celebridades: veja por que a dieta da moda pode ser uma cilada

Dieta Master cleanse, do tipo sanguíneo, dukan, da papinha, estão entre as opções que os famosos escolhem para emagrecer


Os famosos se destacam por seus belos corpos. Porém, para conquistar a boa forma, às vezes eles utilizam métodos arriscados para a saúde e que podem não proporcionar a real perda de peso. "Dietas da moda não funcionam. Técnicas que prometem fazer milagres em tempo recorde não são adequadas. Elas até podem promover algum emagrecimento, mas como ninguém consegue manter a monotonia alimentar, é claro que a pessoa engorda novamente", diz a nutricionista Keli Coutinho.

Reeducar os seus hábitos alimentares e praticar exercícios ainda é a única maneira de perder peso de forma saudável. "Aumentando o consumo de frutas, legumes, verduras e integrais e diminuindo o consumo de alimentos industrializados, ricos em gorduras ruins, sódio e açúcar são maneiras de se conseguir perder e manter o peso", afirma Coutinho.

Entenda por que as dietas Master cleanse, do tipo sanguíneo, da papinha de bebê, da lancheira, da proteína ou dukan, do vegano temporário, do vinagre e sem glúten não funcionam. Algumas delas ainda podem causar problemas sérios de saúde.

Dieta Master cleanse

Dieta master cleanse prejudica a saúde - Foto: Getty ImagesO que é: A dieta Master cleanse consiste em ingerir por dez dias somente chás laxantes, água com sal marinho e uma mistura de limão siciliano ou comum, nunca o galego, xarope de bordo, pimenta caiena e água.

Quem fez: a atriz Demi Moore, o ator Ashton Kutcher e a cantora Beyoncé Knolwes. Por que é um problema: A lista de problemas para a saúde que esta dieta pode causar é extensa. "Este método é uma loucura. Há o risco de desnutrição devido a pouquíssima ingestão de alimentos, e inflamação no intestino, por causa dos chás laxantes", alerta o nutrólogo Roberto Navarro.

A dieta é pobre em nutrientes e calorias, por isso pode levar a dores de cabeça, dificuldade de concentração, tonturas e anemia, entre outros sintomas. Até mesmo o coração pode ser prejudicado nesta dieta. "Por ser somente líquida, existe a possibilidade da pessoa perder potássio e magnésio, minerais importantes para o ritmo do coração, o que pode levar a arritmia cardíaca", conta Navarro.

Além disso, os riscos do efeito sanfona são altos. "Afinal, não houve uma reeducação alimentar, o paciente não aprendeu a escolher os alimentos que pode e deve comer", diz a nutricionista Rita de Cássia Leite Novais, especializada em nutrição clínica.

Este efeito sanfona pode ser ainda pior. Alguns dias após uma restrição tão extrema, o corpo não queima apenas gorduras, mas também músculos. Quando o indivíduo volta para a dieta comum, o corpo quer retornar ao peso perdido, mas só recupera a gordura e então a pessoa fica mais flácida.

Dieta da papinha de bebê

A dieta da papinha de bebê tem poucas fibras - Foto: Getty ImagesO que é: A dieta consiste em consumir 14 potes de papinhas industrializadas ao longo do dia e a noite comer um jantar leve com peixe e salada.

Quem fez: a atriz Jennifer Aniston e a cantora Lady Gaga.

Por que é um problema: Deixe as papinhas para os bebês! Esta dieta é muito restrita em calorias e nutrientes. "Ela tem pouca quantidade de fibras e assim não favorece o funcionamento do intestino de maneira adequada. Este tipo de regime sem orientação pode trazer malefícios a saúde e carências nutricionais", conta Novais. Tendo em vista que os alimentos são triturados muitas vitaminas podem se perder.

O fato desta dieta envolver pouca mastigação também pode acarretar problemas para a perda de peso. "Quando começamos a mastigar já existe um primeiro estímulo do cérebro. Pessoas que mastigam com mais calma ingerem menos comida porque dá tempo do cérebro dar o sinal de que a pessoa está se alimentando", explica Navarro.

Dieta do tipo sanguíneo

Não há provas científicas da eficácia da dieta do tipo sanguíneoO que é: Consiste em traçar quais alimentos podem e quais não podem ser ingeridos por cada pessoa de acordo com o tipo sanguíneo dela.

Quem fez: a atriz Cacau Protásio.

Por que é um problema:
Não existe nenhuma comprovação científica de que este método funciona, mas há provas de que ele não é eficaz. Pesquisadores da Universidade de Toronto realizaram um estudo com 1.455 pacientes e concluíram que a dieta do tipo sanguíneo não é válida. Os estudiosos observaram que a maneira como o indivíduo reage a dieta não tem relação com o seu tipo sanguíneo.

Como os indivíduos que seguem o regime deixam de comer muitos alimentos há o risco de terem uma dieta desbalanceada. "A restrição de carne bovina, cereais e derivados do leite, que acontece nesta dieta, pode causar deficiências ao organismo e comprometer o metabolismo", diz Novais.

A atriz Cacau Protásio ainda sofreu com o efeito sanfona. "Já fiz a dieta do tipo sanguíneo e ganhei peso depois", lembra a atriz. Agora, ela participa do Dieta e Saúde, um programa de emagrecimento que usa o conceito da dieta dos pontos e até hoje já perdeu 12 quilos. "O que mais gostei no Dieta e Saúde é que não proíbe nada. Você pode comer de tudo, desde que em pequenas quantidades. Assim você não enjoa. Além disso, o programa incentiva a comer na hora certa e fazer trocas mais saudáveis", ressalta Cacau Protásio.

Dieta da lancheira ou marmita

Não há provas da eficácia da dieta da lancheira - Foto: Getty ImagesO que é: Consiste em comer durante o dia, café da manhã e jantar não estão incluídos, somente alimentos que caibam dentro de uma lancheira comum.

Quem fez: A cantora Fergie.

Por que é um problema: O principal objetivo desta dieta é restringir a quantidade de alimentos ingeridos, o que é bom. "O fato de poder levar o alimento de casa e controlar a quantidade e qualidade do que irá ingerir é um ponto positivo", observa a nutricionista Keli Coutinho.

Porém, o que será colocado na lancheira é essencial para definir se o regime é eficaz. "O fato de ser uma lancheira não é um erro. Se for colocada uma porção de refeição saudável e a pessoa comer de três em três horas, sem problemas. Mas se for algo muito restrito, como só uma fruta e uma barrinha de cereal, não é bom para a saúde", constata Navarro.

Além disso, colocar alimentos ricos em açúcar ou gorduras na lancheira é um erro, pois dentro do compartimento ou fora dele, essas comidas continuam contribuindo para o ganho de peso.

Dieta do vegano temporário

Dieta do vegano temporário não prejudica o organismo - Foto: Getty ImagesO que é: Envolve passar alguns dias com uma dieta vegana. Assim, todos os alimentos de origem animal, carnes, lacticínios, ovos, mel, entre outros, são excluídos do cardápio.

Quem fez: a cantora Beyoncé Knolwes e o rapper Jay-Z.

Por que é um problema: Não há garantias de emagrecimento. Afinal, os veganos podem comer açúcar, carboidratos simples e gorduras vegetais, alimentos que, em grandes quantidades, favorecem o ganho de peso.

É importante ter o acompanhamento de um nutricionista ou nutrólogo para evitar carências nutricionais ao realizar esta dieta, especialmente de proteínas e cálcio. "O vegano bem orientado não é desnutrido, o único nutriente que realmente eles não conseguem é a vitamina B12, pois a de origem animal é muito mais aproveitada pelo organismo", conta Navarro. Porém, como a dieta dura poucos dias, o período não é o suficiente para que o organismo fique com carência do nutriente.

O retorno para os alimentos de origem animal também precisa ser realizado com cuidado. "A gordura e a proteína animal exigem maior esforço digestivo. Quando a pessoa volta a comê-los sem a orientação sente um desconforto", conclui Navarro.

Dieta da proteína ou dukan

Dieta dukan prejudica a saúde - Foto: Getty ImagesO que é: Esta famosa dieta envolve diminuir os carboidratos, inclusive as frutas em um primeiro e segundo momento da alimentação, e consumir mais proteínas e gorduras. Ela consiste em quatro fases. A primeira é o ataque, momento de perda de peso rápida no qual o único carboidrato que pode ser ingerido é uma colher de sopa de farelo de aveia por dia. A segunda fase é o cruzeiro, envolve perda de peso constante e é mantida até conquistar o peso desejado, o único carboidrato que pode ser ingerido são duas colheres de sopa de farelo de aveia. A consolidação, momento no qual o objetivo é manter o peso conquistado e os carboidratos passam a ser inseridos na dieta de maneira moderada. A última fase é a estabilização, durante toda a vida a pessoa terá um dia da semana no qual irá ingerir somente proteínas.

Quem fez:
A duquesa de Cambridge Kate Middleton e a modelo Gisele Bündchen.

Por que é um problema: A lista de malefícios desta dieta é extensa. Ao restringir o consumo de carboidratos, a pessoa pode sentir mais dores de cabeça, mal estar e tonturas. Já a falta de frutas pode levar a deficiência de nutrientes como vitaminas, minerais e fibras, a ausência deste último pode causar a prisão de ventre.

Os excessos de alguns alimentos que este regime permite também não são saudáveis. "O excesso de gorduras pode levar ao aumento do colesterol e consequentemente a problemas cardiovasculares, enquanto grandes quantidade de proteínas pode causar a sobrecarga dos rins", explica Coutinho.

Além dos problemas para a saúde, o emagrecimento é questionável. "Na primeira semana, a pessoa perde de 4 a 5 quilos, mas na verdade pelo menos 3 quilos são água", explica Navarro. Além disso, como em outras dietas restritivas extremas, os riscos do efeito sanfona são altos.

Dieta do vinagre de maçã

O excesso de viagre pode até levar a morte  - Foto: Getty ImagesO que é: Envolve tomar uma dose, o equivalente a 50 ml, de vinagre de maçã por dia antes de uma refeição. As celebridades alegam que o líquido contribui para o emagrecimento.

Quem fez: a cantora Fergie e a modelo Heidi Klum.

Por que é um problema: O vinagre de maçã de fato é um alimento termogênico, ou seja, contribui para o gasto calórico do organismo durante a digestão e o processo metabólico. Porém, a recomendação é ingerir até duas colheres de vinagre por dia, cerca de 30 ml.

Uma dose, como na dieta, não é recomendado, mas não gera problemas de saúde. Contudo, quantidades muito superiores a isso podem até levar a morte. "O tempero é muito ácido e por isso em excesso ele muda o pH do sangue e pode causar uma acidose metabólica, quadro de risco que pode ser fatal", alerta Navarro.

O estômago também pode ser prejudicado com grandes quantidades de vinagre. "O ácido acético do tempero tem a capacidade de agredir as mucosas da parede estomacal, podendo provocar gastrite ou úlcera", diz a nutricionista Lidiane Martins. Então, restrinja o consumo do vinagre para temperar as saladas.

Dieta sem glúten

Dieta sem glúten só é recomendada para celíacos e pessoas com intolerância - Foto: Getty ImagesO que é: O glúten é uma proteína presente no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e no malte. Algumas pessoas são intolerantes ao glúten ou celíacas e por isso o cortam da dieta. Porém, há quem não tenha este problema e mesmo assim opta por não ingerir a proteína e fazer a dieta sem glúten.

Quem fez: as atrizes Juliana Paes e Carol Castro e a cantora Miley Cyrus.

Por que é um problema: Tirar o glúten da dieta não irá garantir a perda de peso para as pessoas saudáveis. "Na realidade, a pessoa acaba cortando calorias, pão, biscoito, bolacha, e por isso perde peso. Não há uma relação específica entre o glúten e o emagrecimento", explica Navarro. Cortar essa proteína não irá proporcionar nenhum problema de saúde para pessoas saudáveis. 




domingo, 12 de janeiro de 2014

Tire suas dúvidas sobre as principais causas do câncer

Entenda o papel da genética e da alimentação no surgimento da doença


As causas do câncer ainda intrigam os especialistas, enquanto alguns hábitos são notadamente perigosos (caso do tabagismo, por exemplo), ainda existe dúvida em relação ao peso de fatores genéticos no surgimento da doença. A falta de repertório não afeta só a população leiga, mas também os profissionais da saúde - o assunto, inclusive, foi tema destaque no último congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica, realizado na Áustria. Conscientes de que há carência de informações seguras, principalmente, no que se refere à prevenção do câncer, os especialistas dedicaram horas para apresentar o que já se sabe - as revelações foram baseadas num estudo que avaliou as principais dúvidas de 748 pessoas quanto ao tema, a seguir você confere as principais novidades.

Genética

No Congresso, os especialistas apresentaram um estudo com 748 pessoas, incluindo profissionais de saúde, e 90% do grupo disse acreditar que a genética aumenta significativamente o risco de câncer. "Na realidade, apenas 5% a 8% dos tipos de câncer são, dependendo de sua localização, de fato causados por um gene herdado", afirma o oncologista Artur Malzyner, da Clinonco, de São Paulo. De acordo com o oncologista, a confusão provavelmente se dá porque existem fatores externos, como o tabaco, o álcool e substâncias presentes no plástico (como o bisphenol A) que causam a mutação dos genes, servindo como gatilho para um câncer. "Mas existem tipos de câncer com predisposição mais alta em caso de doenças de cunho genético, é o caso da polipose familiar do cólon (crescimento que se projeta da parte interna do cólon ou do reto)", diz o especialista.
Dieta desintoxicante - foto: Getty Images

Dieta desintoxicante

Quando questionados sobre como reduziriam seu risco de câncer, 27% dos entrevistados acreditavam que colocar em prática uma dieta de desintoxicação seria um bom método, enquanto 64% achavam que a comida orgânica protege contra o câncer. O nutricionista Fábio Gomes, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), explica que o agrotóxico provoca vários problemas de saúde, mas a relação entre eles e o aparecimento do câncer ainda não é certo. Na dúvida, alimentos orgânicos continuam sendo a opção mais segura.
Mulher comendo carne vermelha - foto: Getty Images

Carne vermelha

Cerca de 40% dos entrevistados desconhecia a relação entre o consumo da carne vermelha e o aumento do risco de câncer. Vários estudos já revelaram que comer muita carne vermelha pode ser prejudicial à saúde. Um deles, realizado pela Universidade de São Paulo e apresentado no Congresso da Sociedade Americana do Câncer, aponta o alimento como fator de risco para o câncer de intestino. A pesquisa revelou que quem consome carne bovina ou suína diariamente, em qualquer quantidade, apresenta 35% mais chances de desenvolver câncer de intestino grosso.
 Carne processada  - foto: Getty Images

Carne processada

Está aqui um dos fatores de risco mais conhecidos, 85% dos participantes sabiam do risco de ingerir carne processada. O nutricionista Fábio Gomes explica que linguiça, salsicha, bacon e até o peito de peru contêm quantidades consideráveis de nitritos e nitratos. Essas substâncias, em contato com o estômago, viram nitrosaminas, capazes de promover mutação do material genético. "A multiplicação celular passa a ser desordenada devido ao dano causado ao material genético da célula. Esse processo leva à formação de tumores, principalmente do trato gastrointestinal", explica Fábio Gomes.
Mulher usando telefone celular - foto: Getty Images

Telefone celular

Para 68% dos participantes da pesquisa, existe relação entre a radiação liberada pelo telefone celular e o desenvolvimento de câncer. O oncologista Artur explica que, de fato, existe tal associação (principalmente com tumores cerebrais) e que, apesar de discreta, ela merece atenção. A pedido da Organização Mundial de Saúde, 31 cientistas de 14 países revisaram estudos sobre a segurança do uso de telefones celulares. Os especialistas encontraram evidência suficiente para caracterizar o uso do aparelho como "possivelmente cancerígeno para humanos".
 Obesidade - foto: Getty Images

Obesidade

Apenas 32% dos participantes da pesquisa e 41% dos profissionais de saúde sabiam que a obesidade é um fator de risco para o câncer. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um terço dos casos de câncer no mundo podem ser relacionados à obesidade. O oncologista Artur lembra que a obesidade, além de ser um hábito passado de pai para filho, também pode ser transmitida geneticamente. "Os hábitos que causam a obesidade, como a alimentação rica em gorduras e a falta de atividade física, afetam a família inteira", diz o médico.
Mulher estressada - foto: Getty Images

Estresse

Mais de 90% dos participantes do estudo apontaram que o estresse pode ser o causador de câncer e eles estão certos. Alguns estudos já demonstraram que o estresse pode causar câncer indiretamente por enfraquecer o sistema imunológico e encorajar a formação de novos vasos sanguíneos para vascularizar o tumor. Outro estudo, publicado no The Journal of Clinical Investigation mostrou que hormônios como a adrenalina, liberada no momento de estresse, podem influenciar o crescimento e a metástase do tumor. A dica no especialista, entretanto, é para evitar o alarme exagerado. "Você precisa se autoconhecer, diferenciando situações de tensão comuns no dia a dia do estresse crônico, que causa alterações no organismo", afirma o oncologista Anderson Arantes Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
 Roupas apertadas  - foto: Getty Images

Roupas apertadas

Roupas apertadas também foram citadas pelos participantes da pesquisa como um fator que aumenta a incidência do câncer. Segundo os pesquisadores do estudo e os especialistas entrevistados, não existe qualquer relação entre roupas apertadas e o desenvolvimento de tumores. O oncologista Anderson conta ainda que não há qualquer ligação entre a compressão, no caso o sutiã, e o câncer de mama.


Carne de porco pode apresentar calorias e colesterol em baixas quantidades

Compare as carnes suínas com as peças de boi e de frango e faça escolhas mais saudáveis


A carne de porco já foi tão vilanizada, que até na Bíblia seu consumo era proibido, pelo menos no Antigo Testamento. Apesar de no texto sagrado as alegações serem místicas, o real motivo era a quantidade de doenças que esse alimento poderia passar. Por sorte, isso hoje é passado. "A carne de porco hoje passa por rigorosos processos de produção e higiene. Com o cruzamento genético, associado a esse controle sanitário, ela voltou a ter seu lugar de destaque no grupo das proteínas", explica a nutricionista Nicole Trevisan, da ADJ Diabetes Brasil.

Isso foi aliado à nova alimentação dos suínos, que mudou para melhor. "Eles anteriormente eram alimentados com restos de comida, e agora recebem ração equilibrada, com quantidades adequadas de macronutrientes, e em certas marcas até há a presença de antioxidantes e sequestradores de toxinas", explica Israel Adolfo, nutricionista do esporte de São Paulo. Mas para garantir tudo isso, é preciso verificar sempre a procedência do alimento, inclusive o carimbo da vigilância sanitária.

A carne suína hoje é uma boa opção de carne vermelha. Apesar da cor clara, ela entra nessa categoria por causa da concentração de hemoglobina, que mesmo sendo menor do que no tipo bovino, ainda é considerada alta. Pena que o estigma de inimiga da saúde ainda continue... Religiosos ou não, muitos ainda acreditam que a carne suína é rica em gorduras e colesterol, características que agora fazem parte do passado desse alimento - desde que você saiba escolher os cortes mais saudáveis e capriche no modo de preparo. O lombo de porco, por exemplo, apresenta menos quantidade de colesterol que o filé de frango. Se você ainda não está convencido, comparamos essa iguaria com as carnes de boi e frango, para que ela possa finalmente ser absolvida na inquisição da cozinha. Confira!

Ótima fonte de proteínas

Nesse primeiro quesito, a carne de porco é campeã, mas principalmente pela qualidade. "Estudos mostram que a carne suína possui maior conteúdo de aminoácidos essenciais (aqueles que nosso corpo não produz), como por exemplo, leucina, lisina e valina. Estes aminoácidos podem auxiliar o organismo na manutenção do sistema imunológico", explica Karina Valentim, nutricionista da PB Consultoria em Nutrição. Porém, quando o assunto é quantidade, o lombo assado perde apenas para o peito de frango assado, enquanto o primeiro tem 28 gramas a cada 100 g de carne, o segundo apresenta 31 g para a mesma quantidade. Já a alcatra, nessa categoria, apresenta o valor 27 gramas, apenas um pouco a menos. 
Cortes magros - Foto: Getty Images

Porco também pode ter cortes magros

É claro que em todos os tópicos, tudo depende do tipo de corte. E alguns tipos de carne suína são bem pouco calóricos, por incrível que pareça para muita gente. Vamos aos números: a bisteca suína apresenta 164 kcal a cada 100 gramas do alimento. Já o corte bovino mais magro é o contrafilé sem gordura, que apresenta 131 kcal na mesma quantidade. Porém, a alcatra já tem muito mais energia: 234 kcal. O frango, no entanto, ganha de todas, o peito sem pele é a carne menos calórica de todas, com 119 kcal a cada 100 gramas. Vale ressaltar que esses valores calóricos não consideram o modo de preparo do alimento, portanto a melhor forma de garantir que o corte suíno fique mais saudável à mesa são as preparações assadas, grelhadas e cozidas. Evite as versões fritas, que aumentam o valor calórico da carne. Quando é feita com óleo, por exemplo, a bisteca de porco soma 311 kcal, um aumento considerável. E nem todos os cortes do porco são liberados. O toucinho, por exemplo, contém 593 kcal a cada 100 gramas.
Evite o colesterol - Foto: Getty Images

Colesterol: evite os cortes mais gordos

De acordo com a nutricionista Karina Valentim, alguns cortes de carne de porco lideram o ranking quando o assunto é menos colesterol. O lombo suíno está empatado com o filé-mignon bovino, ambos apresentam 55 mg de colesterol a cada 100 gramas de carne. Logo em seguida vem o filé de frango sem pele, com 59 mg, assim como o contrafilé sem gordura. "Porém, o teor de colesterol da costela suína e do toucinho é maior que todos os cortes de carne bovina, sendo assim, estes cortes não seriam indicados para o consumo cotidiano", alerta a especialista. Já no quesito gorduras, a carne de frango é que as possui em menor quantidade.
Composição nutricional - Foto: Getty Images

Composição nutricional

No caso de nutrientes como vitaminas e minerais, o porco também apresenta mais vantagens. "A carne suína possui maior teor de vitamina B1 (tiamina), vitamina B3 (niacina) e vitamina B8 (biotina) comparada à carne bovina", aponta a nutricionista Karina. Por outro lado, a carne bovina tem teores maiores de vitamina B12, aquela que só encontramos em fontes animais, e o frango é rico em vitamina B5. Na questão mineral, a carne de boi tem mais zinco, ferro e potássio, seguida pela carne de porco e só depois a de frango.
Formas de preparo - Foto: Getty Images

Maciez e preparo

Não importa o tipo da carne, todas elas devem ser feitas preferencialmente cozidas, assadas ou grelhadas. Porém, o nutricionista Israel Adolfo considera a suína a carne de preparação mais difícil. "A carne que precisa de melhor cozimento é a de porco, por isto considero a de preparo mais complicado", explica o especialista. Já a maciez varia não só entre os cortes, mas também de animal para animal, mesmo que sejam da mesma espécie. Karina ensina um truque para qualquer uma delas: "para deixar o grelhado mais suculento recomenda-se que não aperte a carne na panela, deixe selar de um lado, vire e deixe selar do outro, para que a carne não perca seu suco interior e fique macia".
Consumo em excesso - Foto: Getty Images

Ingestão em excesso

As proteínas quando consumidas em quantidades muito grandes podem trazem problemas ao organismo, de acordo com Nicole Trevisan. Mas entre os três tipos de carne, a mais perigosa acaba sendo a proveniente do boi. "Estudos mostram que as carnes bovinas possuem maior teor de gordura intrínseca quando comparada a outras carnes. O consumo desta gordura está associado a um maior risco de doenças cardíacas", explica Karine Valentim. Mas ela mesma alerta que no lugar de cortá-la de vez do cardápio, o ideal é limpar bem as peças e tirar toda a gordura antes do preparo.

Consumo recomendado

Para Israel Adolfo, é muito importante consumir carne, já que ela será fonte de proteínas de alta qualidade e vitaminas como a B12. Mas o consumo deve ser distribuído ao longo da semana. "As carnes bovinas e suínas, por apresentarem um teor de gordura maior, devem ser consumidas no máximo de 3 vezes na semana. Nos outros dias é importante que se faça um rodízio, alternando o consumo de peixes, frangos e ovos, como fonte proteica", ensina a nutricionista Karina. 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Grupos de Reeducação Alimentar: determinantes, resultados e percepções

By on 31 de outubro de 2011 Grupos de Reeducação Alimentar: determinantes, resultados e percepções.
Christiane Clímaco1
Tatiana Rúbia Rengel2
RESUMO
Atualmente em decorrência dos altos índices de obesidade, tem aumentado a procura por grupo de reeducação alimentar. Esse grupo reúne pessoas diferentes, cada uma com sua subjetividade, seus potenciais e limitações, facilidades e dificuldades na busca de melhor qualidade de vida. Esta pesquisa teve como objetivo examinar a importância de um programa de reeducação alimentar em grupo, considerando pontos como a adesão, resultados e o significado do grupo na percepção dos participantes. Para realização da pesquisa, foram selecionados dez participantes, sendo seis mulheres e quatro homens. A coleta dos dados ocorreu por meio de entrevistas semi-dirigidas. A interpretação dos mesmos deu-se de forma qualitativa e demonstrou que grande parte dos participantes buscou o grupo por não ter tido sucesso ao realizar outro tipo de dieta feita individualmente ou por motivos de saúde e melhora na qualidade de vida.
Palavras-chave: Grupo, reeducação alimentar, obesidade
ABSTRACT
Currently in result of the high indices of obesity, it has increased the search for group of alimentary re-education. This group congregates people different, each one with its subjectivity, its potentials and limitations, easinesses and difficulties in the search of better quality of life. This research had as objective to examine the importance of a program of alimentary re-education in group, considering points as the adhesion, results and the meaning of the group in the perception of the participants. For accomplishment of the research, ten participants had been selected, being six women and four men. The collection of the data occurred by means of half-directed interviews. The interpretation of the same ones was given of qualitative form and demonstrated that great part of the participants searched the group for not having individually had success when carrying through another type of done diet or for reason of health and improves in the quality of life.
Keywords: Group, alimentary re-education, obesity.
A busca, de algumas pessoas, por grupos de reeducação alimentar para perda de peso e melhora na qualidade de vida, tem aumentado muito nos últimos anos em decorrência dos altos índices de excesso de peso, obesidade e em função dos padrões de beleza valorizados pela sociedade.
Em função de a comida ter um sentido diferente para cada pessoa, não basta simplesmente modificar um hábito alimentar, deve-se possibilitar que a pessoa compreenda o significado que o comer representa, bem como o lugar que ocupa na sua vida. É importante entender e aceitar o seu padrão alimentar para permitir uma alteração nesta relação com a comida.
A reeducação alimentar em grupo tem um papel importante neste processo de transformação, proporcionando aos participantes conhecimentos necessários para que eles mesmos adotem hábitos e práticas alimentares saudáveis. O contato com outras pessoas que apresentam as mesmas dificuldades ajuda os participantes a quebrar barreiras criadas por sentimentos de solidão, isolamento e frustração.  Assim o questionamento que se pretende responder neste trabalho é, qual é a importância do grupo de reeducação alimentar para os seus participantes?
Na busca de um entendimento sobre a temática, a pesquisa tem como objetivo verificar a importância do grupo de reeducação alimentar para os seus participantes. 
A pesquisa realizada foi de cunho qualitativo, entrevistando-se 10 (dez) participantes e realizando-se posteriormente a análise dos dados. A interpretação dos dados demonstrou que grande parte dos participantes busca o grupo por não ter tido sucesso ao realizar outros tipos de dietas feitas individualmente ou por motivos de saúde. As maiores dificuldades apontadas pelos mesmos foram o cumprimento do cardápio contendo uma alimentação mais saudável e balanceada nos finais de semana, ocasiões especiais e festas; a restrição a alimentos calóricos; a falta de compreensão dos familiares; as mudanças drásticas dos hábitos alimentares e os resultados lentos. Os participantes atribuíram ao seu aumento de peso o comodismo, a falta de cuidado com sua própria saúde e a ansiedade.



GRUPO TERAPÊUTICO
O grupo terapêutico tem como objetivo a busca de autoconhecimento de seus participantes e a promoção na mudança da personalidade dos mesmos. A terapia de grupo deseja proporcionar sentimentos de conforto e acolhimento, através de um ambiente de suporte e respeito.
A troca de experiências contribui para que cada participante observe os seus próprios sentimentos e comportamentos, ouvindo e sendo ouvido em um espaço de interação, dessa forma possibilitando que repense sobre aspectos próprios de si, que trazem sofrimento e comprometem a sua qualidade de vida. Através de técnicas que vão ao encontro do tema para o qual o grupo se propôs a "trabalhar".
Conforme Zimmerman (1998. p.225), "os grupos terapêuticos têm como objetivo principal a melhora de alguma patologia dos indivíduos, seja no aspecto da saúde orgânica ou psíquica, ou em ambas". O formato de um grupo possibilita sentimentos de inclusão, de pertencer, ser valorizado pelos outros participantes, oportunizando que cada um consiga perceber, confirmar e solidificar a sua própria identidade.
O grupo é compreendido como um espaço onde a pessoa tem a possibilidade de refletir, trocar experiências e onde adquire a vontade de melhorar sua auto-estima. Segundo Ribeiro (1999. p 156) "o grupo terapêutico é uma miniatura da vida quando permite a reexperiência do cotidiano nos relacionamentos humanos". Neste espaço o indivíduo consegue desabafar, falar de suas angústias relacionadas ao papel da comida em sua vida, sem que se sinta constrangido, por exemplo. Através deste contato com outras pessoas no grupo, os participantes quebram barreiras criadas por sentimentos de solidão, isolamento e frustração, principalmente pela possibilidade de receber sugestões construtivas de outras pessoas que vivem os mesmos problemas.
Segundo Vinogradov e Yalom (1992), existem fatores terapêuticos presentes no contexto grupal que favorecem a troca de experiências, o autoconhecimento e a busca por melhor qualidade de vida, aumentando as formas de lidar com as situações vividas.
De acordo com Zimmerman (1998. p. 240): "' [...] há uma melhor compreensão e aceitação da parte dos integrantes do grupo, quando percebem que usam a mesma linguagem e compartilham das mesmas experiências". Isto facilita a adesão ao tratamento, permitindo que pessoas "doentes" aceitem e assumam sua deficiência, de forma menos conflituosa e humilhante.  Possibilitando um envolvimento comunitário, favorecendo a socialização e permitindo o surgimento de novos modelos de identificação. 
OBESIDADE
A obesidade pode ser definida, de forma resumida, como o grau de armazenamento de gordura no organismo associado a riscos para a saúde, devido a sua relação com várias complicações metabólicas.
Conforme Kaplan & Sadock:
A obesidade refere a um excesso da adiposidade corporal. Em indivíduos sadios a gordura corporal é responsável por cerca de 25% do peso corporal em mulheres e 18% em homens.   Sobrepeso se refere ao peso acima de uma norma de referencia, mais especificamente padrões derivados de dados atuariais ou epidemiológicos. Na maioria dos casos o aumento do peso reflete obesidade crescente.  (KAPLAN e SADOCK, 1999. p. 801)
O desenvolvimento da obesidade e ou sobrepeso, podem estar associados a uma imagem corporal altera. Segundo Schilder (1994. p11) "Entende-se por imagem do corpo humano a figuração de nossos corpos formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós". O obeso, na maioria das vezes, apresenta uma noção de sua imagem corporal distorcida e essa distorção fica mais presente e intensa quanto mais tempo à pessoa encontra-se no quadro de obesidade.  Desta forma, muitas vezes o indivíduo não se "percebe" como obeso mantendo um estilo de vida onde combina o excesso de ingestão de alimentos com a falta da prática de atividades físicas.
Abreu (1998) sugere que algumas situações vitais podem ser favoráveis às crises existenciais, que muitas vezes provocam nas pessoas uma modificação do hábito alimentar e conseqüentemente do seu peso corporal, pois muitas pessoas encontram no comer uma forma de aliviar a ansiedade frente as suas dificuldades. A alimentação envolve um conjunto de valores e significados, que podem ser de ordem cultural, psicológica e social. E nossa relação com o prazer e a comida é muito próxima, pois a alimentação é uma necessidade biológica assim como respirar e ingerir água. Desde que nascemos o ato de comer é envolvido por sentimentos de afeto, como pontua Franques:
[...] a relação emocional tem início no aleitamento materno ao receber os alimentos dos adultos, em uma perpetuação da relação de bem-estar advinda do ato de ser alimentado, cuidado e presenteado com alimento. Essa relação com o alimento começa nas relações primárias mãe-bebê, mas acompanha o
indivíduo por toda a vida em todas as suas relações afetivas. (FRANQUES, 2006, p. 64).
Neste sentido, o fato da pessoa atribuir afeto ao ato de comer pode ter relação com distorções do afeto desde os primeiros meses de nossa vida, sendo que muitas vezes a criança está chorando em função de alguns desconfortos, frio, ou somente para pedir atenção da mãe e esta por não saber interpretar este choro, oferece o seio como forma de compensação.  Desta maneira, o alimentar-se adquire significado mais amplo do que a satisfação e pode ser entendido como uma forma de aliviar outros desconfortos, o comer compulsivamente também pode ser uma busca por preencher um vazio, um sentimento de insatisfação, ansiedade, nervosismo.
A REEDUCAÇÃO ALIMENTAR
Segundo o manual técnico de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças na saúde suplementar (ANS, 2007. p. 18) "a promoção da alimentação saudável visa contribuir para a prevenção e o controle de doenças como a obesidade, diabetes, hipertensão, câncer, entre outras".
A reeducação alimentar é um instrumento de grande importância na manutenção do peso e qualidade de vida, além disso, significa uma mudança permanente, podendo ser necessário algum tempo para que a pessoa se habitue a ela. Seus efeitos são de grande valia, o aumento de vitalidade e a perda de peso estabelecem um poderoso incentivo para insistir, mesmo que ocorram deslizes ocasionais. 
Conforme Rotenberg e Vargas (2004) a educação alimentar, exerce um papel de grande importância em relação ao processo de transformação e mudanças de hábitos alimentares, proporcionando ao indivíduo, conhecimentos necessários para que ele tenha a possibilidade de adquirir, hábitos e práticas alimentares sadias e variadas.
GRUPO DE REEDUCAÇÃO ALIMENTAR
O grupo de reeducação alimentar tem como objetivo contribuir para que os participantes compreendam seus comportamentos alimentares, fazendo com que reconheçam a sua imagem corporal, com a finalidade de melhorar assim a auto-estima, o autocontrole e principalmente modificar os hábitos alimentares, não só momentaneamente, mas para o decorrer da vida.
Vinogradov e Yalom destacam que:
Os pacientes com transtornos alimentares – seja obesidade mórbida, anorexia ou bulimia – mantêm segredo quanto ao seu comportamento alimentar anormal e sobre suas preocupações obsessivas sobre a imagem corporal e alimentos. Um importante objetivo da terapia de grupo é ajudá-los a compartilhar essas preocupações. Em segundo lugar, o grupo objetiva ajudar os pacientes a avaliar e entender seus comportamentos alimentares.  (VINOGRADOV e YALOM 1992 . p.178)
Os participantes de um grupo de reeducação alimentar compartilham suas experiências e dificuldades visando através da vitória de todos, perderem peso, modificar  hábitos alimentares e cuidar da saúde.
Atualmente vem surgindo diversos grupos para reeducação alimentar, o que traz uma nova proposta na assistência à saúde e qualidade de vida. Cada grupo apresenta uma metodologia diferente, mas em geral oferecem apoio nutricional e psicológico. Todavia, é evidente que a responsabilidade de decidir sobre sua alimentação, cabe ao indivíduo. É ele que deverá processar as alterações que irão ajudá-lo a melhorar seu estado de saúde e alcançar seu bem estar. 
MÉTODO
A coleta de dados deu-se através de entrevistas individuais, onde os participantes receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, para respectiva assinatura. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra.
Os dados coletados foram analisados de forma qualitativa utilizando como referência a seqüência das questões realizadas na entrevista. Visando compreender o significado que os acontecimentos e interações têm para os indivíduos, em situações particulares. Esse tipo de pesquisa trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões e não requer uso de métodos e técnicas estatísticas. Segundo Minayo (2007) a pesquisa qualitativa pretende examinar a relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, o que não pode ser traduzido em números.
Na visão de Gualda e Hoga (1997), a pesquisa baseada na abordagem qualitativa, busca enfocar a investigação de significados dentro de um contexto social, aproximando o pesquisador e os informantes. Os métodos qualitativos possibilitam o conhecimento dos significados para os pesquisados, uma vez que descrevem suas experiências tal como são vividas.
Os critérios de inclusão dos participantes na pesquisa foram: idade entre 16 e 60 anos, que não fazem uso de medicamentos para perda de peso e participarem do grupo a mais de 2 (dois) meses.
Foram sujeitos deste estudo 10 pessoas, sendo 6 (seis) participantes do sexo feminino e 4 (quatro) participantes do sexo masculino. Abaixo descreveremos todos os participantes da pesquisa, através de dados coletados na entrevista. Todos os participantes do grupo, segundo o calculo de IMC estavam acima do peso quando iniciaram no grupo de reeducação alimentar, sendo considerados obesos.  O Índice de massa corporal (IMC), conforme Kaplan & Sadock (1999, p. 801), "é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em centímetros ao quadrado [...] um valor de 20 a 25 kg/m2 representa um peso sadio".
Participante
Sexo
Idade
Peso
Altura
IMC
S1
Masculino
24
110
1,87
31,5
S2
Masculino
48
115
1,68
40,4
S3
Masculino
54
110
1,64
40,9
S4
Feminino
49
96,5
1,66
35,0
S5
Feminino
36
115
1,70
39,8
S6
Feminino
44
136
1,60
53,1
S7
Feminino
          17 
96
1,63
36,1
S8
Feminino
56   
125
1,78
39,5
S9
Masculino
40
104
1,70
36,0
S10
Feminino
37
70
1,63
26,3
Tabela 1 – participantes da pesquisa
OS GRUPOS CONTATADOS
Inicialmente, contataram-se três grupos para participar da pesquisa, sendo que um deles de imediato informou que por normas do grupo, não participaria da pesquisa. Os outros dois grupos se mostraram interessados em participar.
Foram visitados dois grupos que acontecem em bairros distintos na cidade de Joinville, SC., sendo que um localiza-se no bairro Boa Vista e o outro grupo no bairro Costa e Silva.
O grupo do Bairro Boa Vista é coordenado por uma equipe multidisciplinar, os participantes são indicados a participar do programa de reeducação alimentar posteriormente a consultas médicas. Após o primeiro contato com este grupo, surgiram alguns impedimentos, sendo que as entrevistas não foram realizadas, apenas uma visita que ocorreu no mês de junho, mas em função de ser o período de férias do grupo, estavam presentes apenas os participantes que foram desligados do programa de reeducação alimentar. Estas pessoas informaram, nesta única visita, que foram desligadas por estarem há muito tempo no grupo e já terem alcançado seus objetivos, como também, serem sabedores de todas as orientações para a reeducação alimentar e manutenção do peso.  Outra informação relatada por elas é que, demonstraram certa dependência do grupo, sendo sugerido que se reunissem em outro grupo, a dança sênior.
Nesta visita, imediatamente após a apresentação da pesquisadora para o grupo, percebeu-se que os participantes e a coordenadora do grupo ficaram surpresos com a estrutura física da mesma, por tratar-se de uma pessoa magra, chegando a comentar como alguém tão magro estaria interessado em pesquisar sobre reeducação alimentar. Parece que os objetivos do grupo de reeducação alimentar estavam sendo interpretados de forma errônea, pois os participantes entendem que a reeducação alimentar, só pode ser praticada por indivíduos que apresentem obesidade ou sobrepeso e não por pessoas que buscam uma melhora nos seus hábitos alimentares. 
Uma das participantes relata que quando não consegue comparecer aos encontros chega a se sentir mal. Outra destaca que o grupo significa um porto seguro, um lugar onde fez muitos amigos.  Corrobora-se que muitos participantes acabam dependentes do grupo, perdendo-se o foco do mesmo, pois o grupo de reeducação alimentar tem objetivo pré-estabelecido, tendo início, meio e fim, e não visa substituir uma dependência por outra, no caso à comida pelo grupo.
Sendo assim, a pesquisa foi realizada em um único grupo de reeducação alimentar devido à desistência de outros dois grupos.
O GRUPO PARTICIPANTE
O grupo participante da pesquisa é do bairro Costa e Silva, da cidade de Joinville, SC. A coordenadora deste, prontamente depois do primeiro contato demonstrou grande interesse na realização da pesquisa, enfatizando a importância da psicologia no processo de reeducação alimentar
O grupo está formado a cerca de cinco anos, sendo coordenado por uma profissional que não tem formação na área da saúde. Os participantes buscam pelo programa por livre e espontânea vontade, geralmente chegam ao grupo através de algum conhecido.
Apresenta como característica o fato de ser um grupo de formação espontânea, é composto por pessoas que se identificam por algumas características semelhantes, como o excesso de peso e a dificuldade de redução do mesmo. Trata-se de um grupo aberto, que segundo Ribeiro:
É aquele em que os membros entram e saem com facilidade. Não existe um compromisso rígido de freqüência e de permanência. Estes grupos funcionam freqüentemente como grupos de espera, de reflexão, onde ao efeito terapêutico secundário pode acontecer. (RIBEIRO 1999. p.94)
O grupo é conduzido somente por uma coordenadora, como citado anteriormente não tem formação profissional na área da saúde. Os encontros ocorrem semanalmente e levam em média de 1 a 2 horas de duração. No primeiro encontro, são registradas medidas como altura, peso e também solicitado ao participante qual a meta de perda de peso que deseja atingir e através dos dados altura e peso, faz o cálculo do índice de massa corporal ideal para cada participante.  Ao iniciar no grupo o participante paga um valor referente à sua matrícula no programa e a cada semana cobra-se também uma taxa. A coordenadora ainda informa como funciona o programa, onde o participante após atingir a meta estabelecida, recebe um certificado de "vencedor do peso" e o benefício de participar do grupo sem nenhum ônus financeiro, por mais 8 (oito) semanas, chamadas de "semanas de equilíbrio".
A cada encontro, os integrantes do grupo participam da verificação do peso corporal e recebem um cardápio a ser seguido a cada duas semanas. Posteriormente são transmitidas informações sobre hábitos alimentares saudáveis, a importância de exercícios físicos e o cuidado com a saúde. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a transcrição das entrevistas deu-se início ao processo de discussão dos dados apresentados.
Inicialmente, por meio dos relatos dos participantes, evidenciam-se algumas questões do grupo de reeducação alimentar, caracteriza-se por ser um grupo onde os participantes acreditam que o sucesso depende das características individuais como força de vontade, determinação e desejo e necessidade de emagrecer, os participantes acreditam que o grupo serve de apoio e incentivo, onde, os integrantes, compartilham suas experiências e dificuldades. O objetivo comum dos mesmos é conseguir emagrecer, cuidar da saúde, controlando doenças crônicas, evitando outros tipos de doenças; melhorar a estética, a disposição física e a auto-estima.
O primeiro ponto a ser discutida foi: Porque o participante buscou o grupo de reeducação alimentar? Nas respostas desta questão, os 10 (dez) participantes entrevistados expuseram que sua opção em buscar o grupo, deu-se em função de tentativas frustradas para perda de peso individualmente, seja por utilização de medicamentos ou outros tipos de dietas. Como relata S1: "Ah, por duas razões, primeiro porque eu já tinha tentado outros métodos para emagrecer, tomei fórmulas, fiz dietas, mas não conseguia atingir meus objetivos, perdia peso, mas era momentâneo, superficial, depois de 2 ou 3 meses voltava tudo".
Dos dez (10) participantes, seis (6) relatam que além do insucesso em outras dietas, também buscaram ajuda no grupo para solucionar problemas de saúde, pois o excesso de peso acaba prejudicando-os no desenvolvimento de tarefas do dia-a-dia, profissionais. "Precisava emagrecer, por problemas de saúde. Já tinha tentado fazer dietas, mas nunca levava muito a sério." (S2) e (S9): "Vim para o grupo por problemas de saúde e já tentei emagrecer com dietas e também fórmulas, mas não dei certo".
A utilização de dietas "milagrosas" prometem uma perda de peso rápida e, geralmente, com um mínimo de esforço. No entanto, na maioria das vezes, este pode ser o caminho mais curto para o retorno ao peso anterior e o início do efeito "sanfona", tão indesejável quanto frustrante (SILVA & POTTIER, 2004. p. 377-38).  Após se submeterem a vários tipos de dietas e também utilização de medicamentos para emagrecimento, os participantes optaram pelo programa de reeducação alimentar, que  é ferramenta de grande utilidade tanto para promoção de hábitos alimentares saudáveis quanto para a prevenção e o controle do excesso de peso. Neste sentido a reeducação alimentar parece substituir a forma de proibição que marca as dietas tradicionais para a forma de "controle", onde a base é a responsabilização dos indivíduos e o seu poder de iniciativa.
Quando questionados sobre o que o grupo representa para eles, 9 (nove) dos 10 (dez) participantes comentam que o grupo é sinônimo de apoio, . Conforme os relatos: "Aqui é o único lugar que está dando certo, sozinha tu não consegue, o grupo incentiva a gente, é mesmo um apoio, na verdade eu não tenho esse apoio em casa e aqui um vai ajudando o outro, tá todo mundo se ajudando"(S6). "O grupo é importante, porque um apóia o outro para continuar, pois é difícil emagrecer, deixar de comer algumas coisas que gostamos bastante. Aqui no grupo todos passam as mesmas dificuldades e um incentiva o outro, por isso fica mais fácil continuar se esforçando"(S8).
Conforme pontua Ribeiro (1994, p.46), "o grupo terapêutico é um campo onde a realidade acontece [...] uma realidade única, feita de momentos e possibilidades infinitas, que se organiza como um campo, com um espaço vital unificado". O grupo é o local onde a pessoa se revela e se faz compreensível
O apoio que o indivíduo busca no grupo de reeducação, possibilitará que ele aprenda a desenvolver recursos para lidar com suas questões, tornando-o mais reflexivo diante das dificuldades e na busca por soluções. Também ajudando o indivíduo a superar conflitos emocionais, colaborando para a ampliação da consciência sobre si mesmo, promovendo equilíbrio emocional e desvendando o que "ativa" a ansiedade que leva a compulsão alimentar e entre outras coisas, ajuda o indivíduo a aprender a lidar e controlar o que o angustia, para não buscar refúgio na comida. Muitos indivíduos obesos ou com sobrepeso, encontram a motivação e energia necessárias para manter seus planos de alimentação saudável por meio do apoio de seus "iguais".
O benefício do grupo, de acordo com Mello (2007):
Reside no apoio mútuo e compartilhamento de experiências entre pessoas que vivem situações semelhantes, com potencial para prevenir o  desenvolvimento de padrões mal adaptados de enfrentamento e estimular comportamentos saudáveis. (MELLO 2007.p 114)
Esse apoio, em conjunto com as orientações sobre saúde e alimentação saudável, ajuda a vencer a obesidade. Inserido no grupo, percebem que outros também sofrem com a obesidade e as dificuldades para conseguir modificar os hábitos alimentares e que isso não acontece somente com ele.  A principal certeza dos membros desses grupos é que eles podem ser mais ajudados por quem já viveu ou está vivendo uma experiência como a sua, do que por aqueles que nunca passaram por ela.
Ribeiro afirma:
O grupo é uma realidade maior e diferente da soma dos indivíduos que o compõem. [...] o grupo é um fenômeno cuja essência reside no seu poder de transformação, no seu poder de escutar, sentir, de se posicionar, de se arriscar a compreender o processo de significação do viver e do responsabilizar-se (RIBEIRO, 1994, p10).
Os participantes destacam que o grupo é um espaço onde conseguem desabafar, trocar experiências sobre suas dificuldades, falar de suas angústias relacionadas ao papel da comida em sua vida, sem que se sinta constrangido.  Segundo (S2): "Aqui no grupo todos passam as mesmas dificuldades e um incentiva o outro, por isso fica mais fácil continuar se esforçando". Pontua também (S8): "Ouvimos as historias de outras pessoas, que elas também têm a mesma dificuldade que a gente, mas é bem importante ver que todos conseguem, se não em uma semana, mas na outra, isso é um incentivo para sempre continuar".
Segundo Yalom (2006), a necessidade de pertencer, de ser aceito e estar inserido em algo maior é uma característica do ser humano. Quando inserido em um grupo o que está em jogo é o compartilhar seu mundo interior, ter o apoio e a aceitação dos outros participantes.
A segunda pergunta da pesquisa foi: O que o mantém no grupo? As respostas dos participantes foram semelhantes à questão anterior, onde os participantes comentam que percebem o grupo como um local de apoio e incentivo, aberto a trocar experiência e angústias, No grupo, identificam-se com os outros e percebem que cada participante é de grande importância para o outro, o que pode ser observado nos relatos de S1 e S2: "Gosto de vir aqui, onde encontro outras pessoas que estão também buscando ajuda … o grupo é bem importante para a gente não querer desistir apesar das dificuldades". (S2). "[...] vejo que os outros também passam por problemas semelhantes ao meu, todos temos o mesmo objetivo de emagrecer e aprendemos com os outros, ouvindo o que cada um traz para o grupo, vir aqui ajuda a não desistir" (S1).
O grupo representa, muitas vezes, para os participantes o único lugar onde eles percebem que tem potencial para atingir seu objetivo de perder peso, comentam que sem o grupo não conseguiriam continuar. Como aponta Ribeiro (1999. p.51) "No grupo as pessoas se mostram intensamente, sem a necessidade de máscaras. O cara a cara facilita o encontro com a verdade".
Pode-se observar então que os participantes do grupo de reeducação alimentar, de diversas maneiras, passam a significar muito uns para os outros.  Sete (7) participantes comentam que percebem o grupo como de grande importância em sua vida. Relatam que sem o grupo não conseguiriam o progresso que estão conseguindo participando do mesmo, S8 diz: "Sem o grupo, não vejo nenhuma perspectiva de continuar mantendo a restrição na minha alimentação e talvez voltaria a engordar"
A coesão também foi uma característica apresentada no grupo, onde os participantes se identificam com o outro, aceitando-os e compreendendo-os. Como deixam claro Vinogradow e Yalon (1992. p. 25), "a coesão do grupo refere-se à atração que os membros têm entre si e pelo próprio grupo".   A identificação com o grupo parece ser imprescindível para o fortalecimento e promoção da integração e de um relacionamento de confiança entre os membros. Isso faz com que o grupo tenha um significado de apoio e acolhimento. Fica evidente nas falas de 4 (quatro) participantes:"No grupo, tem várias pessoas com o mesmo problema, o mesmo objetivo, é um ambiente onde o assunto emagrecer é prioridade e interesse  de todos" (S1). "O grupo é importante, porque um apóia o outro para continuar, pois é difícil emagrecer, deixar de comer algumas coisas que gostamos bastante. Aqui no grupo todos passam as mesmas dificuldades e um incentiva o outro" (S2). "Aqui eu vejo que tem mais pessoas que estão passando pela mesma coisa que eu e isso dá vontade de continuar. Ver que outros já conseguiram"(S4) e "Ouvimos as historias de outras pessoas, que elas também tem a mesma dificuldade que a gente, mas é bem importante ver que todos conseguem, se não em uma semana, mas na outra, isso é um incentivo para sempre continuar" (S8).
Não se pode deixar de considerar a importância dos participantes do grupo perceberem que é necessário a existência de um limite para a orientação e apoio que eles recebem do outro, pois para que se apropriem do processo de reeducação alimentar,  é primordial que eles sejam  os principais agentes da sua própria mudança. Conforme Vinogradow e Yalon (1992) é de grande significância que o indivíduo perceba-se como responsável pelas modificações na sua forma de se alimentar e na relação com a comida e seu corpo.
Ao observar o processo grupal, evidenciou-se que a coordenadora do grupo reforça aos participantes a função do grupo como apoio.
Os participantes também foram questionados a respeito da meta estabelecida para perda de peso e se a mesma estava sendo atingida. Nesta questão, todos estavam perdendo peso, mas apenas dois (2) deles já haviam atingido a meta estabelecida ao iniciar no grupo. As maiores reduções de peso foram de S1 reduziu 30 kg em 5 meses e quando respondeu a pesquisa estava em seu último mês de participação no grupo. S3 foi o participante que teve maior redução de peso, 31,5 kg em 10 meses, mas continua participando do grupo para manutenção de seu peso.
Quando questionados sobre o que os leva a comer, nove (9) dos dez (10) participantes entrevistados relatam que:
1 – Comem com intuito de amenizar outros problemas:
Percebe-se através das falas dos participantes que muitas vezes o alimentar-se representa a principal fonte de prazer e consolo ou utilizam-se da obesidade como escudo para esconder outras dificuldades enfrentadas. Os participantes trazem que quando estão passando por alguma situação difícil, estão tristes ou deprimidos, encontram no comer um alivio para esses sentimentos e sensações. S1 relata que: "Desconto na comida, os problemas financeiros também me fazem comer". A participante S4 também traz que utiliza o comer para "aliviar" os problemas: "Quando tem alguma coisa incomodando, ou nervosa eu vou lá e como" Através dos relatos podemos identificar o que afirma Perls:
[...] a mente do guloso, encher a boca é tão "figura" quanto o bonde é para alguém esperando impacientemente por ele. Em ambos os casos, a confluência, aqui o fluxo conjunto de imagem e realidade, é esperada e permanece o impulso principal. O ato de encher a boca não recua para o fundo, como deveria, e o prazer de saborear e destruir o alimento não se torna o centro de interesse – a "figura". (PERLS, 2002 . p.168-9).
De acordo com Chimicati apund Leal, a relação de dependência desenvolvida com o alimento por muitos obesos e de grande representação para ele: Ao desenvolver uma doença compulsiva, cria-se um vinculo de dependência com o objeto; no nosso caso, com a comida. Passamos, assim a ser dependentes dela, não para nos alimentarmos, que é uma necessidade vital, mas para satisfazer outras necessidades psicológicas que passam a ser sentidas como vitais. Fazemos loucuras para conseguir o nosso objeto de dependência: assaltamos a geladeira, mentimos, desmaiamos, chantageamos, fazemos melodramas, enfim, usamos todos os recursos imagináveis e inimagináveis para conseguir uma porção mais.(CHIMICATI, 2005 apud LEAL, 2007, p. 21).
2) Comem por não perceberem que já estão satisfeitos:
Um participante relatou que a falta de percepção de saciedade. S9 fala: "Comi muita comida. Comia até chegar ao ponto de não agüentar mais". Essa falta de percepção que extrapola o limite entre comer para nutrir-se faz com que a pessoa passe a comer sem uma descriminação daquilo que precisa, sem a percepção de que a quantidade de comida ingerida já é suficiente.
Kaplan e Sadock destacam que:
O comprometimento da saciedade é um problema particularmente importante. Pessoas obesas parecem suscetíveis, de forma incomum, a indícios de alimentos em seu ambiente, a palatabilidade dos alimentos e a incapacidade de parar de comer quando o alimento se encontra disponível, são sensíveis a todos os tipos de estímulos externos para a alimentação. (KAPLAN e SADOCK, 1999. p. 803).
3 ) Comem por compulsão:
Dos dez (10) participantes, quatro (4) comentam que o comer faz parte da nossa vida e que sempre que são convidados ou convidam alguém para fazer algum programa, este envolve a comida. Pontuam também que a comida acaba sendo utilizada como forma de comemoração e confraternização. O que fica evidente na afirmação de Carneiro (2003. p. 2). "O que se come é tão importante quanto quando se come, onde se come, como se come e com quem se come".
As pessoas que apresentam perturbações alimentares podem buscar na comida a satisfação para diversas necessidades, mesmo quando não corresponde ao que efetivamente necessita. Sendo assim, as reais necessidades não são satisfeitas e continuam buscando o alimentar-se para tentar solucionar seus problemas, isso fica claro no seguinte relato de S2: "Comia muito, a toda hora, sempre precisava estar mastigando alguma coisa, para suprir alguma falta talvez".
4 )  Comem  por ansiedade:
A ansiedade foi outro ponto atribuído ao questionamento feito sobre o motivo que os leva a comer, 9 (nove) dos 10 (dez) participantes da pesquisa contam que comem quando estão ansiosos. Alguns relatos enfatizam: "Como muito por ansiedade" (S7) e  "Sou muito ansioso e quando como parece que alivia, preenche um vazio" (S1).
Abreu apund Capitão e Tello (2004) sugerem que "algumas situações do nosso cotidiano, favorecem o surgimento de crises existenciais, que muitas vezes provocam nas pessoas uma modificação do hábito alimentar e conseqüentemente do peso". Muitas pessoas encontram no comer a maneira para aliviar a ansiedade frente às mudanças do cotidiano. A ansiedade provoca várias reações físicas e está presente em nossas vidas, pois no decorrer do nosso desenvolvimento, nos deparamos com muitas mudanças e situações novas e ameaçadoras. Isto fica claro no relato de todos os participantes da pesquisa, que dizem comer compulsivamente quando estão ansiosos, e que o comer diminui os sintomas de ansiedade. Afirmam ainda que procuram compensar os seus problemas através do ato de comer.
Outra pergunta feita aos participantes foi se estão mantendo hábitos alimentares saudáveis. Após os relatos conclui-se que os mesmos não entendem o objetivo real do programa de reeducação alimentar em grupo, que visa à mudança nos hábitos alimentares. Pois atribuem ao grupo o objetivo de reduzir e manter seu peso corporal e não a modificação da sua relação à comida, ou seja, eles não modificam seus hábitos, apenas deixam de comer para perder peso em função do grupo, mas não "tratam" o que faz com que comam compulsivamente. S9 comenta que fica muito ansioso no momento da pesagem: "Se não eliminei peso, ao menos preciso manter o mesmo da semana passada [...] é bem frustrante quando aumentamos de peso, não só pra mim, mas para todos do grupo".
S5 relata que segue os cardápios às vezes, mas não modificou toda sua alimentação: "Mudei algumas coisas, inclui frutas e verduras, mas não deixei de comer tudo que gosto. Na segunda e na terça feira eu como menos para quando me pesar pelo menos ter mantido o peso e não ter engordado".
Outros 2 (dois) participantes também trazem da dificuldade da mudança na alimentação nos fins de semana: "Restringir a alimentação, principalmente nos fins de semana". (S5) e "É difícil, no final de semana é complicado, é o resumo da semana inteira de estress, e reúne à família toda, a gente come mais" (S10).
Todavia, percebeu-se que a experiência no grupo faz com que alguns participantes experimentem outras maneiras de relacionar-se com o alimento e com o que ele representa. Conforme discurso de S1: "Mudei minha forma de pensar, de me alimentar, a preferência por alimentos mais saudáveis, prática de exercícios, melhorou também meu desempenho no trabalho e a minha auto-estima.Agora percebo que posso comer de tudo, mas controladamente e o grupo foi muito importante para isso".
Outra pergunta feita aos participantes trata da questão sobre o que aconteceu para que o participante chegasse ao peso que iniciou no grupo. Um dos pontos levantados foi o sedentarismo, 8 dos 10 participantes relatam que não tinham o hábito de praticar nenhum tipo de atividade física antes de freqüentar o grupo, mas que agora praticam caminhas, corridas e outros exercícios.
O participante S9 relata: "Agora não ando mais de elevador, subo escadas e não fico mais sentado como antes, estou me movimentando bastante e isso tem melhorado muito minha condição física".
A prática de atividade física, julgada como possível de ser incluída na rotina pelos participantes, tem sua efetividade descrita pela literatura, segundo Kaplan e Sadock (1999. p. 805) "atividade física pode atenuar a ingestão de alimentos e a combinação com o aumento do dispêndio calórico auxilia a manter a perda de peso".
Outro ponto abordado na pesquisa refere-se às maiores dificuldades encontradas após o início no programa de reeducação alimentar. A pergunta feita aos participantes foi à seguinte: Qual a maior dificuldade enfrentada após iniciar sua participação no grupo de reeducação alimentar. As respostas apontadas pelos participantes foram: dificuldade de realização do plano alimentar principalmente nos finais de semana, festas e ocasiões sociais, falta de compreensão da família, mudança drástica dos hábitos alimentares, os resultados lentos e ansiedade. Por outro lado, a inclusão de frutas, legumes, verduras e alimentos integrais bem como o fracionamento da alimentação em quatro a seis refeições por dia e a prática diária de atividade física foi considerada fácil por 4 dos 10 participantes entrevistados.
Assim como destaca Rito (2004), as mudanças nos hábitos de vida dos participantes, não devem ser vistas como um processo de normatização e muito menos como de culpa do indivíduo. O que está em jogo não se restringe apenas à mudança do consumo de alimentos, de atividade física, mas tem influência sobre todos os significados ligados ao comer, ao corpo, ao viver.
Os participantes relatam que é muito difícil restringir a alimentação quando recebem visitas ou aos domingos onde toda a família tem o hábito de se reunir para as refeições e que isto já é "costume" que vem desde quando crianças.
S10 enfatiza: "É difícil no final de semana, é complicado, é o resumo da semana inteira de estress, e também onde reúne a família e o hábito é sempre de sentar na mesa e comer, é uma forma de aproximar as pessoas".
Outra dificuldade apontada pelos participantes da pesquisa, nesta pergunta, diz respeito a demora do resultado no processo de reeducação alimentar, diferente das dietas que utilizam medicamentos. Dois participantes relatam que por ser um processo mais lento, no inicio até pensaram em desistir, mas no decorrer do processo, perceberam que a reeducação é muito mais eficaz que nas dietas com medicações, pois quando deixavam de tomar o medicamento engordavam muito. S1 diz: "Já tomei medicamento, emagreci bastante e bem rápido, mas depois quando parei engordei o dobro".
Este imediatismo na busca do emagrecimento contribui para que o processo de reeducação alimentar seja mais penoso, como no discurso de S4: "Sou ansiosa e aqui demora para perder peso, com fórmula é mais rápido, às vezes penso em desistir".
Com a reeducação alimentar a própria pessoa tem que controlar sua alimentação, até comendo o que gosta, mas controladamente. Compreendem também que agora que se alimentam com comidas mais leves e saudáveis não sentem aquele "peso no estomago" que sentiam antes.
Alguns participantes falam, ainda na mesma pergunta, que quando iniciaram a reeducação alimentar acreditavam que precisariam restringir tudo o que gostavam de comer, mas depois de alguns encontros, através das informações trocadas com os outros participantes, perceberam que nem tudo que é gostoso engorda ou é caro.
Conforme dito por  S10: "Até conseguimos economizar um pouco, porque não compro mais tanta comida, e não jogamos tanta coisa fora, também não compramos comidas prontas que são mais caras que as frutas, é só saber comprar coisa da época".
Nos encontros a coordenadora e os próprios participantes trocam informações sobre possíveis alternativas para que o indivíduo se habitue a uma alimentação rica em alimentos saudáveis e de baixa caloria (frutas, legumes e verduras, leguminosas, cereais integrais, leite e derivados, carnes com pouca gordura), saborosa e com o mesmo orçamento familiar.
Fica claro que a reeducação alimentar deve ser gradativa, negociando as substituições alimentares, despertando novos prazeres, sugerindo alimentos, preparações saudáveis, mas também acessíveis e prazerosas, considerando os aspectos econômicos, culturais e sensoriais do sabor e da aparência. Para ter uma alimentação saudável não é preciso excluir "coisas gostosas", mas é preciso saber equilibrar evitando os exageros e o consumo freqüente de alimentos altamente calóricos.
Nos relatos, fica evidente que alguns participantes percebem a importância do grupo, mas que, além disso, é preciso que eles mesmos tenham força de vontade e determinação para atingir os seus objetivos. Segundo Ribeiro (1999. p. 152) "o grupo funciona como uma escola da vida [...] as lições são aprendidas e de acordo com a capacidade de percepção de cada um de seus membros".
A restrição de determinados tipos de alimentos como chocolates, doces, carnes gordurosas e massas também foram atribuídas pelos participantes como uma dificuldade para a adesão ao programa de reeducação.
Quando questionados sobre as principais mudanças que percebem após freqüentar o grupo. Compreende-se através do relato de 7 dos 10 participantes entrevistados que eles sentem-se bem com a alimentação mais saudável e grande parte deles estende essa alimentação para a sua família, mas mesmo assim demonstram uma grande dificuldade de deixarem de comer em grandes quantidades determinados tipos de comidas, ou deixar hábitos alimentares antigos. S10 expõem que na sua casa todos acrescentaram mais grãos, cereais, frutas e verduras: "Mudamos a alimentação, tá bem melhor, mas é difícil no final de semana quando reúne toda a família". Outros participantes falam: "Já melhorei minha saúde, minha condição física e também minha família mudou também a alimentação" (S1) e "Percebi muitas mudanças na saúde, alimentação também da minha família"(S4).
Os participantes vivem uma experiência positiva, mas estão atrelados ao modo de alimentação antiga, demonstrando a possibilidade de ter que manter um controle na maneira de se alimentar por um grande período, relacionando-se com a alimentação como se fosse uma norma a ser seguida ou então acabam abandonando, com o tempo, por não agüentar o controle.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após as visitas e entrevistas com os participantes de grupos de reeducação alimentar, percebeu-se que a adesão a um programa de reeducação alimentar é eficaz na maioria dos casos.
Verificou-se que os participantes que buscam por grupos de reeducação alimentar vão desde aqueles que desejam perder peso por razões estéticas, até aqueles que sofrem de vários problemas de saúde decorrentes da obesidade, pouquíssimas pessoas buscam o grupo apenas para reaprender a se alimentar de forma mais adequada.
No grupo, os participantes, encontram aquilo que buscam para conseguir atingir seus objetivos, o emagrecimento, a mudança de hábitos alimentares, melhora na auto-estima e na qualidade de vida. E este é compreendido como um espaço educativo, de reflexões, de troca de experiências e anseios, de melhoria da auto-estima e construção de cidadania. O sentimento de pertencer a um grupo específico ajuda a desenvolver estratégias para o indivíduo enfrentar a obesidade ou sobrepeso e os problemas sociais e de saúde relacionados a ela.
A coesão é um ponto de grande importância na continuidade do grupo, pois se refere à atração que os membros têm entre si e pelo próprio grupo. Os membros de um grupo coeso aceitam uns aos outros, oferecem apoio e estão inclinados a formar relacionamentos significativos dentro do grupo. Isto ficou claro na maioria dos relatos dos participantes, que dizem que no grupo são aceitos, se sentem a vontade e recebem muito apoio, e isso que faz com que emagreçam e continuem buscando alcançar seus objetivos. Percebe-se que o grupo oferece aos participantes condições de aceitação e compreensão que muitas vezes não encontram na família, e em outros grupos sociais.
Pode-se observar que as mudanças de hábitos alimentares não são fáceis, pois envolve alterações nos hábitos que foram estabelecidos ao longo dos anos. Assim como também dissociar o ato de comer do prazer e dos problemas, frustrações e ansiedades. Manter a mudança do comportamento é ainda mais difícil e requer motivação, controle comportamental e apoio social.
Tão importante quanto reconhecer a mudança, é saber que esta pode ser interrompida por recaídas, durante as quais ocorre uma regressão. Mas isto não significa que tudo está perdido: as recaídas não devem ser vistas como um fracasso consumado, mas sim como uma oportunidade de aprendizado para que se evitem erros futuros.
Observou-se ainda nas entrevistas e também nas visitas ao grupo, que não tratar do aspecto emocional que desencadeia o comer compulsivo parece manter a dificuldade que os participantes relataram a respeito de aderir em sua rotina à alimentação saudável como uma fonte de prazer e não de restrição ao que engorda. Esta pode ser uma questão para outra pesquisa. Percebeu-se também que o grupo não está estruturado didaticamente, tendo uma proposta de início, meio e fim aonde o participante possa se apropriar do que aprendeu e senti-se seguro para deixar o grupo.  
A reflexão sobre a experiência com o grupo demonstrou que o mesmo configura-se numa oportunidade de expressão das vivências e de troca de experiências, tornando-se uma valiosa fonte de aprendizagem, promotora de crescimento.
Sendo assim, fica evidente o programa em grupo trouxe aos participantes um resultado mais eficaz, já que participando do grupo, os indivíduos ganham não só com a redução de peso, mas também com a melhora da sua auto-estima, do humor, da qualidade de vida e principalmente da saúde.
5. REFERENCIAS
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