OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:

Os textos a seguir são dirigidos principalmente ao público em geral e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes de cada assunto abordado. Eles não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores às informações aqui encontradas.

Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal.


No contexto, a frase é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida (tradução livre):

Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude.
orandum est ut sit mens sana in corpore sano.
fortem posce animum mortis terrore carentem,
qui spatium uitae extremum inter munera ponat
naturae, qui ferre queat quoscumque labores,
nesciat irasci, cupiat nihil et potiores
Herculis aerumnas credat saeuosque labores
et uenere et cenis et pluma Sardanapalli.
monstro quod ipse tibi possis dare; semita certe
tranquillae per uirtutem patet unica uitae.
(10.356-64)

A conotação satírica da frase, no sentido de que seria bom ter também uma mente sã num corpo são, é uma interpretação mais recente daquilo que Juvenal pretendeu exprimir. A intenção original do autor foi lembrar àqueles dentre os cidadãos romanos que faziam orações tolas que tudo que se deveria pedir numa oração era saúde física e espiritual. Com o tempo, a frase passou a ter uma gama de sentidos. Pode ser entendida como uma afirmação de que somente um corpo são pode produzir ou sustentar uma mente sã. Seu uso mais generalizado expressa o conceito de um equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mens_sana_in_corpore_sano


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mudanças efetivas...levam tempo!

 
Não apressem a ordem natural das coisas!
Uma mudança EFETIVA leva TEMPO! Nossa cabeça e corpo tem que se adaptar a nova proposta e a nova situação, então calma...tudo tem a sua hora de acontecer.
O simples hábito de despertar outros gostos e paladares pra mim...levou tempo! Hoje gosto das coisas mais naturais possíveis, condimentos no ponto certo, sal moderado, texturas al dente...enfim o gosto mudou mudando com isso todo meu corpo.
Dêem  tempo ao tempo para MUDAR de maneira PLENA e TOTAL! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Inglês perde 101 kg para deixar de ser virgem, mas continua 'invicto'

Stephen Hodson perdeu 101 quilos em 18 meses. Virgem, ele decidira emagrecer porque acreditava que o excesso de peso fazia com que nenhuma mulher se interessasse por ele.

Bem, mesmo após a drástica mudança de peso, o inglês de 32 anos continua virgem. Agora, segundo ele, o vilão é a pelanca - resultado do emagrecimento.

Antes de decidir começar a perder peso, Stephen tinha uma dieta de 6.000 calorias diárias e várias canecas de cerveja. O inglês chegou a 190 quilos.

Agora, ele ingere diariamente alimentos no valor de 1.200 calorias e se exercita regularmente até duas horas por dia.

Só está faltando uma mulher na vida do inglês de Stoke-on-Trent.

"As pessoas não me apontam maius na rua como faziam antes, mas eu sei que o problema está sob a minha roupa, e isso afeta a minha autoconfiança. É duro e desconfortável quando estou nu e a pelanca cobre a minha genitália", lamentou-se Stephen em reportagem do "Daily Mail".
O inglês vai ser submetido em agosto a uma cirurgia para a retirada do excesso de pele no peito, no abdômen, na virilha, nos braços e nas pernas.


Programa do Gugu - Médico dá dicas valiosas sobre como fazer uma dieta saudável.

Semana nova...
NOVAS POSSIBILIDADES DE FAZER TUDO MUITO MELHOR!!!



Antonio Sproesser explica como emagrecer de maneira saudável
Médico dá dicas valiosas sobre como fazer uma dieta saudável

domingo, 24 de junho de 2012

O prato saudável que garante sua saúde


A equipe de nutricionistas da Universidade preparou dicas de boa alimentação para você. 
Veja a composição de um prato saudável na imagem abaixo e clique:




Prato Saudável

Para montarmos um prato saudável devemos praticar esta regrinha simples...
 
Trace uma linha imaginária na metade do prato e coloque 50% de vegetais: verduras, preferêncialmente as verdes escuras, como, couve, agrião, rúcula, chicória, etc; também coloque legumes, quanto maior a variedade de alimentos melhor será para o organismo, pois cada tipo oferece nutrientes diferentes. 
 
No outro 50% distribua entre o arroz, dê preferência para o integral (rico em fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos), o feijão (alimento maravilhoso, rico em proteína, fibras, ácido fólico, ferro...) e a proteína animal, procure variar entre frango, peixe, carne vermelha e ovos.
 
Quanto mais colorido melhor será, pois as cores significam presença de nutrientes e fitoquímicos diferentes, como por exemplo, a beterraba (cor roxa) possuí antocianina, o tomate (cor vermelha) possuí o licopeno, a cenoura, contén carotenóides...ambos potentes antioxidantes para o organismo.

Seguindo esta regrinha nos alimentamos bem em qualquer situação!!! 
 


Bootcamp Calorie Burn - Workout Video - ExerciseTV

Muita fibra contra o câncer

Estudos quentíssimos sugerem que, além de evitar o aparecimento de tumores no intestino, a substância protege a mama, o pâncreas…

À primeira vista, alimentos como goiaba, cebolinha, cenoura, tangerina, soja, arroz integral e aveia não têm nada em comum. Mas, perdoe-nos pelo clichê, as aparências enganam. É que esses itens — e muitos outros 

— são carregados de fibras, substâncias valiosas. Entre seus feitos estão o estímulo da saciedade, a melhora do funcionamento do intestino e a proteção contra câncer nesse órgão. Agora a ciência acaba de apontar, veja só, que elas também previnem tumores no pâncreas e na mama. No mínimo.

Vem do Colégio Imperial de Londres e da Universidade de Leeds, na Inglaterra, o estudo que associou o consumo de fibras a uma menor incidência de tumores mamários. Para realizá-lo, os pesquisadores esmiuçaram 16 trabalhos sobre o tema. “Notamos que a ingestão diária de 10 gramas de fibras solúveis derruba em 26% o risco de o mal se desenvolver. Ainda não sabemos por que as insolúveis não promoveram o mesmo benefício”, conta Dagfinn Aune, líder do projeto.

Uma das hipóteses levantadas para explicar tal façanha é que as fibras reduziriam o estrogênio que perambula pelo sangue. É que elas prejudicam a ação de uma enzima responsável por quebrar o hormônio para facilitar sua absorção. Assim, boa parte dele vai embora junto com as fezes. Mas há um mistério: “Em pesquisas com cobaias, tanto as fibras solúveis como as insolúveis causaram esse efeito”, pondera a nutricionista oncológica Thais Manfrinato Miola, do Hospital A.C. Camargo, na capital paulista.

Se você está se perguntando por que é importante evitar picos de estrogênio, fique sabendo que ele incita a proliferação das células mamárias, independentemente de serem normais ou cancerosas. “Sabe-se que outros hormônios agem assim, ou seja, estimulam a multiplicação celular. Então, quando eles estão controlados, o risco de desenvolver câncer diminui”, explica Fábio Gomes, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Mais fibras, menos insulina
Só para constar, outro hormônio intimamente relacionado ao câncer de mama é a insulina, responsável por botar a glicose dentro das células. E as fibras dão um jeito nela também. Afinal, retardam o esvaziamento gástrico — em outras palavras, você fica com o estômago cheio por mais tempo —, o que torna a absorção de açúcar mais lenta. Diante disso, não há necessidade de ter um monte de insulina circulando.

E, por falar em barriga bem forrada, está aí outro fator que, indiretamente, é capaz de afastar a ameaça do câncer mamário. É que a obesidade e essa doença caminham lado a lado. Quando a dieta é rica em fibras, fica mais fácil escapar dos ataques à geladeira e, dessa forma, administrar o ponteiro da balança. “Mas, se uma mulher está 40 quilos acima do peso, não adianta só apostar nas fibras. O consumo isolado da substância não contrabalançará todos os outros problemas”, avisa Artur Katz, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Já no Centro de Referência Oncológico de Aviano, na Itália, os cientistas voltaram suas atenções para a relação entre uma dieta campeã em fibras e o aparecimento de câncer no pâncreas. Para explorá-la, eles avaliaram a dieta de 326 pacientes diagnosticados com a doença e 652 indivíduos saudáveis. Foi quando notaram que o consumo da versão solúvel fez despencar em 60% a probabilidade de tumores surgirem no órgão. A insolúvel, por sua vez, diminuiu o perigo em 50%.

Ao que tudo indica, a partir do momento em que tais substâncias passam a controlar a produção e a liberação desenfreada de insulina, evitam não só o boom de células malignas nas mamas como também no pâncreas. “Isso não está 100% comprovado, mas é uma teoria que ganha força”, avalia Paulo Hoff, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. “E esse mecanismo provavelmente garante proteção contra vários outros tipos de tumores”, completa Fábio Gomes, do Inca.

Outra explicação plausível para essa blindagem é a capacidade que as fibras têm de aliviar o engarrafamento que muitas vezes atravanca o trânsito intestinal. “Elas não permitem que o organismo tenha tempo de absorver agentes potencialmente cancerígenos. Dessa maneira, os inimigos são rapidamente eliminados”, esclarece a nutricionista Juliana Pereira Lima Gropp, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Ainda que as evidências deem às fibras o troféu de anticancerígenas, Artur Katz pede cautela ao discutir seus efeitos: “Elas podem ser indicadores de outros comportamentos benéficos, já que as pessoas que capricham no seu consumo geralmente seguem um estilo de vida mais saudável, com dieta balanceada e prática de exercícios físicos”.

Sem contar que as substâncias são encontradas em leguminosas, frutas e hortaliças, alimentos abastecidos de uma variedade de compostos considerados aliados no combate a tumores, como quercetina, betacaroteno e licopeno. Portanto, é necessário avançar nas investigações para confirmar se as benesses alardeadas por todos esses estudos são causadas só pelas fibras.

De qualquer forma, sua ingestão é mais do que incentivada pelos especialistas ouvidos nesta reportagem. Nem tem como ser diferente. Afinal, como ficou claro, elas estão alojadas em alimentos de alto valor nutricional — e apostar neles possivelmente freia a procura por itens pouco saudáveis, como os industrializados cheios de gordura e açúcar.

Uma dica: 25g é o consumo diário de fibras considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde
Ao mexer no cardápio, não se esqueça de molhar a garganta com bastante água, chás e sucos. “O líquido é esssencial para que as fibras solúveis se transformem em gel e as insolúveis formem fezes macias”, informa a nutricionista Michele Trindade, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no interior do Paraná. Só não enrole muito para mudar os hábitos. “A dieta deve ser equilibrada desde cedo para que exerça um papel realmente significativo na batalha contra o câncer”, adverte Paulo Hoff.

Aliadas na perda de peso
Decididamente, quem anseia por conquistar uma silhueta mais elegante não pode deixar as fibras de fora do cardápio. Uma refeição lotada delas demora a ser mastigada e também digerida. Como consequência, a sensação de saciedade dura mais tempo e a vontade maluca de comer não aparece tão cedo. “Além disso, ao caprichar em cereais, leguminosas, raízes e frutas, tende a haver uma redução no consumo de gorduras e açúcares”, lembra a nutricionista Paula Riccioppo, da clínica Be Healthy, no Rio de Janeiro. “Essa mudança contribui tanto para a perda quanto para a manutenção do peso ideal.”

Uma sugestão: para aumentar o consumo diário de fibras, salada sempre cai bem antes dos pratos principais.

Duas versões da substância
- Solúveis
Ao entrar em contato com a água, elas formam uma espécie de gel, que promove saciedade e ajuda a controlar a presença de glicose no sangue, além de domar o colesterol. Nesse grupo, estão a pectina, a goma e a mucilagem, que dão as caras nas leguminosas, nas frutas e no farelo de aveia.
- Insolúveis
Não são nada viscosas e têm como principal função aumentar o bolo fecal e, assim, melhorar o funcionamento do intestino. Representadas pela celulose e pela lignina, são encontradas na camada externa de grãos e cereais, no farelo de trigo, na casca de frutas e na soja.

Por que elas não são nutrientes?
A explicação é simples: embora façam parte dos alimentos, as fibras são resistentes à digestão e não são absorvidas no intestino delgado. “É durante a própria passagem pelo trato digestório que interferem no aproveitamento de nutrientes e ajudam no combate a doenças”, diz a nutricionista Michele Trindade, da UEL.

O ranking das fibras
1º Soja – 23,9 g em 1 concha média.
2º Grão-de-bico – 17,3 g em 1 concha média.
3º Ervilha – 13,5 g em 1 concha média.
4º Feijão-carioca – 11,9 g em 1 concha média.
5º Cereal à base de trigo – 11,5 g em 1/2 xícara de chá.
Elas estão abrigadas em vários alimentos
- 1 concha média de lentilha – 11,1 g.
- 1 goiaba branca – 10,7 g.
- 1 colher (sobremesa) de cebolinha – 6,4 g.
- 1 mexerica – 4,19 g.
- 1 pera – 3,3 g.
- 1 colher (sopa) de semente de linhaça – 3,3 g.
- 1 colher (sopa) de farelo de trigo – 3,1 g.
- 1 colher (sopa) de abacate – 2,83 g.
- 1 maçã argentina – 2,6 g.
- 1 laranja com membrana – 2,6 g.
- 5 folhas de couve-manteiga – 2,35 g.
- 3 colheres (sopa) de batata-doce cozida – 1,98 g.
- 1 escumadeira de arroz integral – 1,62 g.
- 3 colheres (sopa)de beterraba crua – 1,62 g.
- 1 colher (sopa)de farinha de centeio – 1,5 g.
- 3 colheres (sopa)de mandioca – 1,44 g.
- 1 figo fresco – 1,4 g.
- 1 colher (sopa) de flocos de aveia – 1,37 g.
- 1 fatia de pão de fôrma integral – 1,3 g.
- 1 ameixa-preta seca – 1,2 g.
- 3 colheres (sopa) de cenoura ralada – 1,14 g.
- 3 folhas de alface lisa – 1,05 g.
- 1 colher (sopa) de farelo de aveia – 1,02 g.
- 3 colheres (sopa) de brócolis cozidos – 1 g.
- 1 escumadeira de arroz branco – 0,96 g.

Revista Saúde

http://setimodia.wordpress.com/2012/04/13/muita-fibra-contra-o-cancer/ 

Chaplin ...

As novidades de 2012 para tratar a obesidade

Entre elas estão: novos usos para drogas conhecidas, medicamentos em aprovação e mais critérios para fazer a redução de estômago

De acordo com a mais recente pesquisa sobre os fatores de risco para a saúde dos brasileiros, 91,2 milhões de habitantes do País precisam emagrecer em 2012. Esses 48% da população estão com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 25 – um indicativo de que o total de quilos está em desacordo com a altura.

Deste batalhão contabilizado pelo Ministério da Saúde, 15% já são obesos e estão mais próximos de complicações sérias como infarto, diabetes, hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC).

A medicina, a indústria e as pesquisas estão empenhadas em encontrar ferramentas que auxiliem obesos e gordinhos a enxugar as medidas. E, para isso, também investigam quais as razões para o mundo ter engordado tanto nos últimos anos. Os cientistas já sabem, por exemplo, que os motivos vão além do sedentarismo e da oferta excessiva de comida, e incluem também a falta de sono adequada, a alimentação da mãe durante a gravidez e, certamente, a genética.

Com a proibição dos medicamentos à base de anfetamina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a consequente retirada de remédios como anfepramona, emproporex e mazindol das prateleiras, muitos endocrinologistas veem dificuldades para o próximo ano.

“Acho que teremos mais comorbidades para tratar. Teremos de readaptar o obeso que já usava essa medicação e estava bem, pensar em alternativas. Hoje temos à nossa disposição apenas a sibutramina e o orlistat (que tem ação periférica) e o impacto deles na perda de peso não é tão bom”, afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

"Além disso, os tratamentos devem ficar mais caros, porque serão poucas as opções. Também acho que o uso ‘off-label’ deve aumentar”, acredita a endocrinologista. "Off-label" é o uso de um medicamento em uma indicação que não está na bula e para a qual ele ainda não tem a aprovação da Anvisa.

Terapia genérica?

Em meio ao cerco aos medicamentos da família “sibutramina”, o presidente da Associação Brasileira de Medicamentos Genéricos, Odnir Finotti avalia que a restrição abre espaço para o aumento do consumo de comprimidos genéricos desta classe terapêutica (são três disponíveis atualmente).

“Os medicamentos genéricos para emagrecer não chegavam nem a 10% da fatia global das vendas, uma porcentagem muito pequena diante do consumo geral”, diz Finotti.

“Agora, com a Anvisa fazendo mais exigências para as vendas, os genéricos podem se beneficiar porque eles são mais prescritos para quem, de fato, precisa da medicação. As vendas atendem mais às exigências do consumo adequado e também fazem parte do arsenal terapêutico do sistema público de saúde.”

Novos critérios para cirurgias

Na guerra contra a obesidade grave, a cirurgia bariátrica tem se mostrado uma arma eficaz, quando bem utilizada. Mas os médicos alertam: a redução de estômago não é procedimento estético e deve ser encarada como um recurso extremo. Atualmente, só podem se submeter à cirurgia pacientes com IMC igual ou superior a 35 que tenham outras doenças como hipertensão ou diabetes ou obesos com IMC igual ou acima de 40. Além disso, devem ter tentado tratamento clínico anterior sem sucesso.

Para o próximo ano, no entanto, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica quer que esse critério seja expandido.

“O IMC é bom para avaliarmos epidemiologicamente a população, mas para definir tratamento, precisamos de mais ferramentas. Queremos que outros indicadores, como circunferência abdominal e pressão arterial, sejam considerados no momento da decisão”, afirma Ricardo Cohen, presidente da entidade.

“O IMC não prediz a gravidade da doença. Os jogadores de futebol americano têm índices elevados e nem por isso precisam ser operados”, exemplifica.

Outra modificação positiva, avalia Cohen, é a inserção da videolaparoscopia no leque de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida, que passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2012, garante que usuários de convênio sejam submetidos à bariátrica por meio desse método.

“A decisão do tratamento deve ser do médico e do paciente e não das fontes pagadoras”, adverte o médico. A cirurgia por videolaparoscopia é menos invasiva e traz menos complicações no pós-operatório.

Em aprovação

No primeiro semestre de 2012, três remédios deverão ser submetidos ao FDA, órgão que regulamenta os medicamentos nos EUA, para o tratamento da obesidade. Na avaliação da representante da Abeso, o mais promissor é o Qnexa (topiramato associado a fentermine), do laboratório Vivus.

O remédio, de consumo diário promete trazer mais saciedade e reduzir o apetite. O fentermine está aprovado desde 1959 e é indicado geralmente para o tratamento a curto prazo da perda de peso. O topiramato é utilizado para crises de enxaqueca desde 1996.

“A redução de peso fica em torno de 12 kg por ano”, afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo.

Na fila, estão também o Contrave (bupropiona associada a naltrexone), desenvolvido pelo Orexigen Therapeutics, e o Locarserin , da empresa Arena Pharmaceuticals. Ambos prometem reduzir o apetite e acelerar o metabolismo.

As pesquisas para entender o funcionamento do corpo na queima de gorduras têm avançado e um dos caminhos mais desbravados remete ao sistema nervoso central. Um estudo com 42 pessoas obesas ou com sobrepeso, realizado pelo IDI Heart & Baker Institute Diabetes, em Melbourne, na Austrália, identificou que aqueles com altos níveis de atividade no sistema nervoso simpático têm mais facilidade para emagrecer.

Os autores da pesquisa acreditam que a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para perda de peso por meio do estímulo dessa região específica.

Mas a pesquisa que realmente movimenta a comunidade científica está sendo realizada na Universidade do Texas, nos EUA, e é coordenada pela brasileira Renata Pasqualini. Diferente das drogas existentes hoje, que atuam na regulação do apetite ou na aceleração do metabolismo, o novo medicamento reduz a vascularização da gordura que se acumula sob a pele. Sem sangue o suficiente, as células da região são reabsorvidas.

Por enquanto, os testes só foram feitos em macacos, que perderam 11% do seu peso em quatro semanas. As projeções dos especialistas é que, se continuar tendo resultados bem sucedidos, a nova droga esteja no mercado nos próximos 10 anos.

Todos contra ela

Além do arsenal de pesquisas, os médicos finalmente estão acordando para uma triste realidade: o sobrepeso e a obesidade não estão mais limitados aos consultórios dos endocrinologistas, cardiologistas e nutricionistas. Estão batendo nas portas das mais diversas especialidades da área da saúde.

A dentista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Vera Kloger, por exemplo, já detectou que os obesos têm mais cáries e problemas nas gengivas. O ortopedista Luis Eduardo Munhoz também associa o ganho de peso ao aumento de dores nas costas e problemas nos joelhos e o oftalmologista Rubens Belfort Júnior também diz que os obesos são mais vítimas de problemas oculares, principalmente os ligados ao diabetes.

Para a ginecologista Albertina Duarte – uma das pioneiras na criação de um programa de saúde da mulher – todos os médicos precisam aprender a tratar a obesidade dentro de suas especialidades.

“A orientação para perder peso já faz parte da recomendação de todos os colegas, mas a minha projeção é que em breve todos terão como prioridade na prática clínica ajudar seus pacientes a encontrarem formas de emagrecer”, diz a médica, que nos últimos quatro anos, perdeu nada menos que 23 quilos.

“Emagrecer, na minha avaliação, é mais difícil do que parar de fumar. Portanto, é preciso criar estruturas em prol do emagrecimento. É uma batalha que deve ser de todos.”

A endocrinologista Maria Edna de Melo, da Abeso, vai ainda mais longe na avaliação: além de políticas de incentivo às atividades físicas e ao consumo de alimentos menos calóricos, é preciso mudar a maneira como a obesidade é vista pelos médicos e pela sociedade.

“A obesidade deve ser encarada como uma doença grave. Ninguém é gordo porque quer ou por falta de vontade ou por preguiça. Não é um ‘visual escolhido’”, ressalta.

Segundo a endocrinologista, a obesidade é essencialmente uma alteração química do corpo, que vai precisar de remédios para voltar a funcionar corretamente.

“É como quem tem hipertensão. Se parar a medicação, a doença volta. O obeso, os médicos e a sociedade precisam entender que quem emagrece tem uma doença controlada, mas não ‘foi curado’”, diz.

Fonte. IG.Saúde

http://www.gordinhasdobrasil.com/2011/12/as-novidades-de-2012-para-tratar.html 

O adolescente mais gordo do mundo

Billy Robbins mantém o título de “adolescente mais pesado do mundo” e mesmo após ser submetido a um rigoroso controle de peso, ele ainda pesa incríveis 500 kg.
Tudo começou quando a mãe de Billy não impunha qualquer restrição na alimentação do filho e declara: “Ele ama hambúrgueres, pizzas, refrigerantes, batatas fritas, Donuts, etc. Ele gosta de boa comida, muito embora coma brócolis… com queijo em cima, claro.” Assim, o garoto passou a consumir 8 mil calorias diárias, o suficiente para o consumo de 4 pessoas saudáveis durante 1dia.
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Informações » O Buteco da Net
By Mell
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O primeiro filho da mãe de Billy morreu vítima de um tumor cerebral. “Eu compensava nele a dor da morte de Mateus, meu primeiro filho. Ficou difícil dizer não ao Billy quando ele queria comer alguma coisa“.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cabeça de Magro x Cabeça de Gordo

Pergunta-se:
“O que acontece com nosso cérebro quando comemos” ?
“O que acontece em nosso cérebro ?”
“Temos (todos nós) de aprender a pensar como um magro”
Grandes Gordos (+ de 100 kg) são viciados em:   
Salgados Gordurosos
Doces Gordurosos
Alimentos não saudáveis e em grandes quantidades
Podemos e devemos reprogramar nossas cabeças para não pensar como uma  “Cabeça Gorda”
É o que chamamos de “Reabilitação Alimentar”
O cérebro central (hipotálamo) libera Opióides (substâncias químicas responsáveis por uma sensação de recompensa e prazer) que são semelhantes a drogas como heroína e morfina.
Inconscientemente você mexe sua língua e mandíbula, salivando e desencadeando em seu cérebro uma resposta imediata: “Quero Mais”...
Este “Barato” foi produzido pela “Comida”
Comida gorda e salgada
Comida gorda e doce
Estas são as chamadas “Comidas Palatáveis”, são na maioria das vezes saborosas e dão prazer.Estimulam nosso apetite enos fazem “Comer sem parar”
Esse tipo de comida mexe com o cérebro central (hipotálamo) estimulando a produção de Neurotransmissores (Dopaminérgicos e Serotoninérgicos).
É quando podemos afirmar que estamos sendo programados para os vícios, do tipo: Obesidade, Alcoolismo, Cigarro, Drogas,Jogo, Compras e etc.
É essencial que possamos “reprogramar” nosso cérebro
Isto é uma herança dos nossos ancestrais (homens da caverna) em milhares de anos na luta pela vida, onde, comer era uma luta pela sobrevivência.
No tempo de nossos antepassados alimentos com sal e gordurosos ou com açúcar e gordurosos eram raros ou não existiam.
O sal é necessário para compensar nossa evolução do Mar para a Terra, de um meio rico em sal para um meio pobre em sal.
O Rim foi o órgão que surgiu desta evolução.
Necessitávamos reter sal para vivermos exclusivamente na Terra e compensarmos as perdas de Sódio pelo suor.
Na época do Império Romano o sal era tão necessário que virou moeda de troca --- “Salario”.
Isto é um processo evolutivo de milhões de anos.
Basta sentirmos um cheirinho de batata frita, bolinho de bacalhau, chocolate,etc., para que se dispare um “ciclo vicioso” em nosso cérebro.
Comer alimentos doces gordos e salgados gordos nos faz desejar comer cada vez mais salgados gordos e doces gordos, em vez da saciedade, mais fome e impulsos. Este é o “Paradoxo da Gordura”. Impulsos de “luta e fuga” como na Pré-história.
“Gordura dá Larica”-- Gordura – Células do Intestino – Substâncias Endocanabinóides (maconha) – Aumento de Apetite Voraz (Larica pós-baseado)
“Toda comida extremamente prazerosa pode neutralizar os sinais de saciedade”.
Por isso comemos mais o que gostamos.
Vício em comida:
Cheiro – Antecipação do prazer – Dopaminas , Serotoninas
Visão – Antecipação do prazer – Dopaminas , Serotoninas
Mastigar – Reforço do prazer –Dopaminas , Serotoninas
Prazer – Buscar mais comida – Você pode perder o controle
Quais os grande vilões para evitar?
Bebidas adoçadas ----------- Pouca Saciedade
Grãos Refinados ------------- Digestão Fácil
Batatas ------------------------- Digestão Fácil
Carnes Processadas -------- Mais Calóricas, Digestão Fácil, Pouca Saciedade
Doces --------------------------- Pouca Saciedade
Existe um ponto quente do prazer alimentar ?
Ponto “G” do cérebro ou “Hedonic Hot-Spot”.
Ponto de maior estimulo das Substâncias Endocanabinoides, ou Opióides, ou Neurotransmissores.
Como fazer Reabilitação Alimentar?
Passe longe das tentações
Olhe a “comida engordativa” como algo não saboroso
Dificulte o acesso às comidas gordas salgadas e gordas e doces
Não compre para a sua casa. “A casa come o que a casa compra”
Casa Magra
Geladeira Magra
Dispensa Magra
Repetir o cardápio diminui a fissura por aquela comida
Diminua as variedades de alimentos gordurosos na mesa
Dez Passos para Reabilitação alimentar:
1.    Não pense em dieta, pense em educação alimentar
2.    Lembre-se do que comeu
3.    Peça o de sempre no restaurante
4.    Não conte calorias
5.    Nada de “só um pedacinho”
6.    Descubra suas fraquezas
7.    Sexo libera dopaminas e dá prazer
8.    Aprimore o paladar, use temperos não oleosos
9.    Não coma na frente de TV
10.    Pense “Magro”, Tenha uma casa “Magra”, uma geladeira “Magra”

O sistema endocanabinóide e o comportamento alimentar

03/02/2007
Godoy-Matos A et al; Arq Endocrinol Metab vol.50 no.2 , Apr. 2006

A Cannabis sativa é cultivada pelo homem há mais de 5.000 anos, seja para a obtenção de fibras para manufatura têxtil, seja para fins medicinais ou recreacionais . A maconha e outros derivados psicotrópicos da Cannabis sativa representam a droga ilegal mais consumida no mundo ocidental. Os relatos sobre o efeito estimulador do apetite da Cannabis sativa, sobretudo para alimentos doces e palatáveis, datam de 300 d.C. Nos anos 80, a capacidade do composto ativo da Cannabis e de seus análogos sintéticos de estimular o apetite e reduzir náuseas e vômitos estimulou o seu uso em pacientes com câncer. Apenas recentemente, porém, foram clonados os alvos celulares das substâncias canabinóides, que foram denominados receptores CB. Concomitantemente, devido ao seu papel no controle da ingestão alimentar e balanço energético, vem crescendo a atenção no potencial terapêutico das substâncias que interferem com o sistema endocanabinóide endógeno.

A longa história da Cannabis teve sua evolução estimulada e conduzida para a medicina após a descoberta e caracterização química do seu principal princípio ativo, o D 9 -Tetrahidrocanabinol (THC). Seus principais derivados, utilizados na prática médica, são o Drabinol e a Nabilona. Em seqüência, em 1988, um sítio de ligação para o THC foi identificado no cérebro de ratos e, em 1990, foi clonado o primeiro receptor canabinóide. Após a identificação de um segundo receptor, ficou definida a nomenclatura de CB1 para o primeiro receptor e CB2 para o segundo. O CB1 é o mais abundante receptor GPCR (receptores de membrana-ligados-a-proteína G) no cérebro, enquanto o CB2 está presente nas células do sistema imunológico.

No início da década de 90, foram descobertos dois agonistas endógenos dos receptores canabinóides: a N-aracdonoil etanolamina (Anandamida) e a 2-aracdonoil glicerol (2-AG), sendo atualmente designadas como endocanabinóides (ECB). As enzimas fosfolipase N-acilfosfatidiletalonamina-seletiva e lipase sn-1-diacilglicerol-seletiva são as enzimas que rapidamente hidrolisam a Anandamida e a 2-AG, respectivamente. Os receptores canabinóides, os endocanabinóides e as enzimas que catalisam sua síntese e degradação constituem o Sistema Endocanabinóide (SECB).

O primeiro antagonista específico do receptor CB1 endocanabinóide foi descoberto em 1994, sendo denominado SR141716 ou Rimonabant. Esta substância vem sendo estudada como modulador do apetite e como agente para o controle do tabagismo e, principalmente, para o controle dos fatores de risco ligados à obesidade visceral (discussão adiante). O antagonista específico do receptor CB2, SR144528, futuramente poderá ser usado em pesquisas com a finalidade de modular a resposta imune.
O Sistema Endocanabinóide

Os receptores canabinóides pertencem à superfamília dos receptores de membrana-ligados-a-proteína G (GPCR; G-Protein-Coupled-Receptor). A ativação desses receptores, tipicamente, inibe a adenilato-ciclase com conseqüente fechamento dos canais de cálcio, abertura dos canais de potássio e estimulação de proteínas quinases. O CB1 é o mais abundante receptor GPCR no cérebro, expresso predominantemente nos neurônios pré-sinápticos, mas também se encontra presente no sistema nervoso periférico. De fundamental importância para o conhecimento médico é entender que os agonistas endógenos e os receptores CB1 se expressam em vários outros órgãos da periferia. Atenção especial deve ser dada à sua presença no tecido adiposo. Já os receptores CB2 estão presentes nas células do sistema imunológico. Há evidências farmacológicas e fisiológicas sugerindo a existência de outros subtipos de receptores, ainda não clonados.

Os principais agonistas endógenos dos receptores canabinóides, a anandamida e a 2-AG, são derivados de ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa, principalmente do ácido aracdônico. Essas substâncias não estão confinadas no SNC, mas também agem como mediadores locais em muitos tecidos, sendo produzidos por demanda após alterações agudas ou crônicas da homeostase celular.

Os endocanabinóides agem como mensageiros cerebrais retrógrados. Diferentemente da seqüência usual, o estímulo começa no neurônio pós-sináptico e a excitação neuronal leva à despolarização e ao influxo de íons cálcio que estimulam várias fosfolipases, iniciando assim a síntese dos endocanabinóides. Esses são liberados na fenda sináptica e se difundem livremente para estimular os receptores CB1 nos terminais pré-sinápticos neuronais. Os endocanabinóides agem como mediadores locais de forma parácrina e autócrina, sendo captados por células neuronais através de transportadores e metabolizados rapidamente. Assim, são rapidamente hidrolizados pelas enzimas fosfolipase N-acilfosfatidiletalonamina-seletiva (FAAH) e lipase sn-1-diacilglecerol seletiva. É importante ressaltar que os ECB não ficam armazenados nas vesículas lisossômicas, mas são prontamente sintetizados e liberados para as células, onde e quando forem necessários. Portanto, a disponibilidade dos ECB é regulada por captação-degradação. É interessante perceber, portanto, que a enzima de degradação da anandamida (FAAH) pode determinar maior atividade do sistema quando inativada. Com efeito, estudos muito recentes demonstraram uma associação entre um polimorfismo no gene da FAAH e obesidade em humanos. Ainda nesta linha de raciocínio, Engeli e cols. mostraram que os endocanabinóides anandamida e 2-AG estão aumentados no plasma de humanos obesos, e seus níveis estão inversamente relacionados com a atividade da FAAH. Isto corrobora dados em animais que apontam para uma hiperatividade do SECB em estados de obesidade.

Além de seus efeitos no balanço energético, o SECB tem um importante papel na regulação da secreção hormonal, através da sua ação primária no hipotálamo e direta na hipófise. A expressão dos receptores CB1 e a síntese de ECB nas células hipofisárias, além da habilidade dos ECB em inibir a secreção de prolactina e de GH e em aumentar a de ACTH, foram recentemente descritos.

A habilidade em modular o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e o envolvimento da resposta ao estresse são avaliados por estudos que demonstram que os ECB parecem produzir efeitos ansiolíticos dose-dependente. Além disso, são capazes de modular a resposta imune e inflamatória e várias funções fisiológicas, como a cardiovascular (alteração da freqüência cardíaca e vasodilatação), a respiratória (hiper ou hipoventilação e broncodilatação), a reprodutiva (inibição da secreção de testosterona e relaxamento uterino) e a ocular (diminui a pressão intra-ocular).

O Sistema Endocanabinóide (SECB) e o Comportamento Alimentar

No homem, é reconhecido o efeito do uso recreacional da Cannabis, induzindo a procura por alimentos, notadamente alimentos palatáveis (este efeito é popularmente denominado de "larica"). Este fato e a experiência médica anterior, com o uso de canabinóides para alívio de anorexia e náuseas em pacientes com doenças consumptivas, sugeriam um papel deste sistema na modulação do apetite. Anatomicamente, esta relação parece se confirmar, ao se demonstrar que os endocanabinóides e o receptor CB1 estão presentes em altas concentrações em áreas hipotalâmicas que estão envolvidas no controle alimentar como a ventromedial, a dorsomedial, a lateral, os núcleos arqueados e os paraventriculares.

Uma interessante característica do sistema endocanabinóide é o fato de agir "sob demanda". Isto significa que é acionado apenas quando necessário e funciona para reparar ou modular a função de outros mediadores. Obviamente, pela abundância no SNC, os neurotransmissores são os principais candidatos à sua interação. Diversos sítios de produção de neurotransmissores relacionados ao comportamento alimentar, como CRH (Corticotropin Releasing Hormone), MCH (Melanin Concentrating Hormone), CART (Cocaine-Amphetamine Related Transcript) e a pré-pró-orexina estão localizados próximos aos receptores CB1. Existem, ainda, evidências para uma relação funcional entre o SECB e o neuropeptídeo Y, a melanocortina, o GLP-1 e a grelina.

As experiências com animais de laboratório atestam a intrínseca relação entre o SECB e o controle alimentar. Por exemplo, a restrição alimentar aumenta os níveis hipotalâmicos dos ECB, que diminuem quando os animais são alimentados. De outra forma, a administração central e periférica de anandamida (AEA) aumenta a ingesta alimentar em roedores. Já a leptina, que é secretada pelo adipócito e apresenta efeito na redução da ingestão alimentar, promoveu redução dos níveis hipotalâmicos de AEA E 2-AG, quando administrada agudamente a ratos normais ou ob/ob. Sugere-se, deste modo, que uma deficiência da sinalização da leptina proporcionaria o aumento dos níveis de EC e que, na obesidade, este sistema estaria hiperativo. Assim, parece que o SECB e a leptina fazem parte do sistema homeostático que regula a ingestão alimentar e o peso corporal. Isto parece se confirmar em humanos.

Os receptores CB1 estão presentes no trato gastrointestinal, nas mesmas regiões onde se expressam peptídeos envolvidos no controle alimentar, sugerindo um possível papel do SECB na modulação da alimentação através de uma sinalização intestino-cérebro. Já foi demonstrado que o jejum aumenta os níveis de anandamida no intestino delgado, o que se relacionaria ao estímulo da ingesta alimentar. A grelina é um peptídeo sintetizado pela mucosa do fundo gástrico, que age como um potente orexígeno, sinalizando o início da alimentação. Autores americanos demonstraram que a administração do antagonista do receptor CB1, o Rimonabant, inibiu a ingesta alimentar nos ratos em jejum, o que se associou a redução significativa dos níveis de ghrelina. Estes resultados sugerem um papel do SECB na regulação da secreção de peptídeos gastrointestinais orexígenos.

Um antagonista seletivo do receptor CB1, denominado Rimonabant, foi desenvolvido após um melhor entendimento do SECB. Estudos com o Rimonabant demonstram uma potente diminuição na procura por alimentos palatáveis (doces, por exemplo) em animais alimentados ad libitum ou uma diminuição da ingesta, de curta duração, em animais sob restrição alimentar. Num modelo de obesidade animal mais semelhante à obesidade humana, animais submetidos a uma dieta rica em gordura quando tratados cronicamente com Rimonabant, diminuíram transitoriamente a ingestão alimentar e perderam peso significativamente. Quando administrado para animais nocauteados para o receptor CB1, o medicamento não exerceu qualquer efeito, atestando que sua ação na regulação do apetite é, realmente, via o sistema endocanabinóide.

Estes e outros dados sugerem que o sistema ECB atua na ingestão alimentar de duas maneiras no SNC: 1) via sistema mesolímbico, reforçando e incentivando a procura por alimentos com capacidade de proporcionar mais prazer, e 2) via hipotálamo, agindo "sob demanda" para induzir o apetite, modulando ou regulando substâncias orexígenas ou anorexígenas quando de uma restrição alimentar. Além disso, as suas ações se estendem à periferia, através do eixo enteral­SNC. Talvez mais importante, sua atividade no tecido adiposo, controlando a lipogênese, aparenta ser fundamental para o controle do peso e das alterações metabólicas conseqüentes, como será discutido adiante.

O fato de os receptores ECB não estarem confinados apenas ao SNC, mas disseminados em vários outros tecidos, torna mais consistente o conceito de estresse e de mecanismos para restabelecimento da homeostase. É interessante notar que, além do sedentarismo e do aumento da oferta de alimentos, o estresse crônico ajuda a explicar o papel do ambiente na gênese da obesidade. Neste caso, condições de estresse crônico levariam a uma hiperestimulação da síntese de ECB.



IMPORTANTE
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Publicado por: Dra. Shirley de Campos 
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Efeito 'similar à maconha' explica gula por comidas gordurosas famosa (LARICA) , diz estudo


Um estudo revelou que a gordura contida em alimentos como batatas fritas desencadeia um mecanismo biológico de gula no organismo que atua de modo similar aos efeitos da maconha.
Batatas fritas e outros alimentos gordurosos desencadeiam efeito similar ao da maconha - BBC
BBC
Batatas fritas e outros alimentos gordurosos desencadeiam efeito similar ao da maconha
A pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Califórnia, descobriu que quando provaram comidas gordurosas, ratos, utilizados como cobaias na pesquisa, começaram a produzir substâncias químicas conhecidas como endocanabinóides, uma espécie de lipídios biologicamente ativos, que exercem um efeito semelhante ao da maconha sobre o indivíduo.
O processo, relata a pesquisa, tem início na língua, onde as gorduras contidas no alimento geram um sinal que viaja do cérebro, através de um feixe de nervos conhecido como nervo vago, para o intestino. Lá, ocorre o estímulo na produção de endocanabionóides, e a substância provoca uma onda de ativação celular, que induz à ingestão desenfreada de alimentos gordurosos.
''Nós sabemos que comidas gordurosas podem ter um um bom sabor, mas os mecanismo moleculares e sinais por trás dessa resposta eram desconhecidos. Agora sabemos que comidas gordurosas geram um sinal na língua que leva o intestino delgado a produzir as substâncias químicas conhecidas como a maconha natural do corpo humano, que induzem ao consumo de gordura '', afirma Daniele Piomelli, que comandou a pesquisa.
A pesquisa pode indicar novos caminhos na luta para conter a obesidade e outras doenças, segundo os cientistas envolvidos no estudo.
A ampla disponibilidade de alimentos gordurosos em países industrializados é considerada um fator determinante para condições como a obesidade, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares.
O estudo sugere que pode ser possível conter a compulsão de se comer alimentos gordurosos ao se obstruir atividades endocanabinóide, por meio da utilização de medicamentos que bloqueiam a ação desses lipídios.
Como tai drogas bloqueadoras não precisam penetrar no cérebro, elas não teriam porque causar efeitos colaterais, como ansiedade e depressão, que surgem quando a ação endocanabinóide é bloqueada no cérebro, conta Piomelli. 
http://mundodaerva.blogspot.com.br/2011/08/efeito-similar-maconha-explica-gula-por.html

Cientistas descobrem por que é tão difícil comer apenas uma batata frita

Postado por Daniel Cooper 
Comida gordurosa também dá “larica” – Foto: Getty Images
Por Marcela Puccia Braz
A gordura presente em alguns alimentos, como frituras, estimula o corpo a produzir substância similar à contida na maconha, diz estudo publicado na Academia Nacional das Ciências (NAS).
Batatas fritas e salgadinhos chips, portanto, induzem a produção de endocanabinóides, substâncias químicas liberadas no intestino que influenciam o paladar e a sensação de fome. O efeito é semelhante ao da famosa “larica”, forte aumento de apetite que dá após o fumo da maconha.

O estudo feito com ratos demonstrou que açúcares e proteínas não afetam a liberação da substância. Mas provou que a presença de gordura na língua sinaliza o cérebro a ativar a fabricação intestinal dos endocanabinóides e, portanto, da vontade de comer.
O estímulo foi importante durante o processo evolutivo dos mamíferos, visto que a ingestão de gordura é crucial à sobrevivência. Porém, atualmente, com a facilidade de obtenção de alimentos, essa substância está ligada a problemas de saúde, como a obesidade.
Fonte: National Geographic
http://loucuramental.com/cientistas-descobrem-por-que-e-tao-dificil-comer-apenas-uma-batata-frita/ 

Informações nutricionais reduzem consumo de calorias em quase 15%

Informações nutricionais no cardápio induzem pessoas a consumirem menos calorias.Submitted by Ciência Diária on Saturday, 19 December 2009Sem comentários
Sim, provavelmente você é o que você come.  Segundo uma pesquisa conduzida por pesquisadores do Rudd Center for Food Policy and Obesity, da Universidade de Yale, você também pode comer menos pelo que você é: curiosos que não descartam a leitura da quantidade de caloria de uma comida tendem a ser mais saudáveis.  
Informações nutricionais no cardápio podem diminuir consumo excessivo de calorias.
 O estudo envolveu 303 adultos em um restaurante. Um grupo recebeu o cardápio sem informações calóricas e o outro obteve informações das calorias de cada prato (alguns com a informação de quantas calorias uma pessoa consome em média por dia).  Os que puderam ler informações nutricionais comeram 14% menos calorias e, aqueles que leram a recomendação, optaram por pratos com 250 calorias a menos, em média.

Cabeça de magro

A má notícia: somos viciados em gordura, sal e açúcar. A boa: novas pesquisas revelam que podemos reprogramar nossa cabeça para não cair em tentação. É o rehab alimentar

Denise Dalla Colletta e Priscilla Santos

.Editora Globo
Crédito: Sendi Morais
Você pensou uma, duas, 3 vezes, mas não resistiu: usou a tal substância. Ela logo desencadeou em sua cabeça um processo viciante: ao tocar sua língua, fez liberar em seu cérebro opioides — químicos responsáveis por uma sensação de recompensa e prazer, também acionados por drogas como heroína e morfina. Inconscientemente, você move sua língua e mandíbula. Se fosse uma criança, abriria um sorriso. A resposta imediata do seu corpo: quero mais!

Esse barato não foi provocado por uma nova droga da moda. É uma velha conhecida que, consumida com moderação, é essencial à nossa sobrevivência: comida. Mais especificamente aquela com grandes quantidades de gordura, sal e açúcar, ingredientes que, a ciência revela, nos fazem pedir cada vez mais, mais e mais. “São as chamadas comidas palatáveis, não só porque são saborosas e dão prazer, mas porque estimulam nosso apetite e nos fazem comer sem parar”, diz o autor do livro The End of Overeating (O Fim da Comilança, sem edição no Brasil) David Kessler, ex-integrante do FDA, órgão que regulamenta alimentos e remédios nos Estados Unidos. Esses ingredientes mexem em mecanismos cerebrais que costumam ser atingidos também por drogas pesadas, como a heroína e, a mais recente descoberta, maconha. Basta sentirmos um cheirinho de batata frita ou dar a primeira mordida em um bolo de chocolate para disparar o ciclo vicioso. “Comer alimentos ricos em açúcar, gordura e sal só nos faz comer mais alimentos ricos em açúcar, gordura e sal”, diz e repete Kessler. Para entender esse desejo sem fim, a ciência da gordura — que já analisou nosso metabolismo e reações fisiológicas — agora muda de foco. “As pesquisas sempre buscaram o que acontece em nosso corpo enquanto comemos. Mas a verdadeira pergunta é: o que acontece em nosso cérebro?”, diz Kessler. Entender isso é essencial para que possamos reprogramar nossa mente. E dar início a uma reabilitação alimentar — a única saída para se pensar como um magro.

 GORDURA DÁ LARICA
Em junho, cientistas da Universidade da Califórnia e do Instituto de Tecnologia da Itália publicaram um estudo revelando que a ingestão de alimentos gordurosos libera no intestino endocanabinoides. Qualquer semelhança do termo com a Cannabis sativa, a planta da maconha, não é coincidência. Esses químicos são parecidos com aqueles encontrados em um cigarro feito com ela e que costuma causar um apetite voraz — a famosa larica pós-baseado. No experimento, ratos alimentados com gordura não conseguiam parar de comer. Já os que ingeriram só proteína ou carboidrato se deram por satisfeitos mais rapidamente. “Provavelmente, os endocanabinoides reduzem a mensagem de saciedade que se origina no intestino e é enviada ao cérebro”, afirma Nicholas DiPatrizio, professor do Departamento de Farmacologia da Universidade da Califórnia.

Não é só gordura que tem essa capacidade de nos fazer continuar comendo mesmo quando já estamos supostamente satisfeitos. “Toda comida prazerosa pode neutralizar os sinais de saciedade”, diz o neurocientista David Linden, autor do livro A Origem do Prazer (lançado no Brasil em agosto pela Editora Elsevier). Aí também entram os pratos ricos em açúcar e sal, que liberam em nosso cérebro mais dopamina, um neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade e bem-estar, do que os demais tipos de alimentos. Um truque da natureza para que os homens das cavernas sobrevivessem.

Na dieta dos nossos antepassados, alimentos com sal, gordura ou açúcar eram raros — as refeições não tinham mais que 10% de lipídios, as gorduras que vinham da carne. Nosso vício em sal não é totalmente explicado pela ciência. Mas os pesquisadores desconfiam que seja uma estratégia evolutiva para compensar o sódio perdido no suor. Já a gordura e o açúcar são reservas naturais de energia: fomos programados para abocanhá-los sempre que os encontramos pela frente. “Mas sabemos que se você comer açúcar, gordura e carboidratos refinados [que se transformam rapidamente em açúcar na digestão] repetidamente, isso irá alterar seus circuitos de prazer”, afirma Linden. Com o tempo, as células cerebrais não irão responder de forma tão intensa ao estímulo provocado por esses ingredientes. Como acontece com a heroína, o efeito enfraquece com o passar do tempo. E aí você precisa de mais quantidade da substância para sentir o mesmo barato.
O CAMINHO DO VÍCIO | Gordura, sal e açúcar ativam nosso circuito de prazer. Saiba como
.Editora Globo

 VÍCIO EM COMIDA
O deleite com os alimentos funciona em duas fases. Primeiro vêm as preliminares: sentir um cheiro gostoso, passar na porta do restaurante onde se experimentou um jantar dos deuses ou assistir a uma propaganda de biscoitos recheados na TV. “É daí que vem o verdadeiro poder da comida: da antecipação do prazer”, afirma Kessler. Esses estímulos já são suficientes para fazer nosso cérebro liberar dopamina. A substância — também responsável pelos impulsos de fuga — cria o desejo e nos faz correr atrás do que for necessário para comer aquele prato tentador. Quando você, de fato, abocanha a gostosura, mais dopamina é liberada. E também opioides. Essas substâncias farão não apenas com que você sinta prazer, mas aumentarão seu desejo e irão motivá-lo a buscar mais comida. Para evitar que esse ciclo tenha início, é necessário parar no comecinho. Mude o caminho de casa para o trabalho para não passar na frente do tal restaurante e evite chegar muito próximo da banca de pastel para não ser seduzido pelo cheirinho de fritura. O prazer proporcionado apenas pela ideia de que você está prestes a se esbaldar com uma delícia dessas já pode fazer você perder o controle.

A prova veio de um estudo divulgado em abril, em que pesquisadores da Universidade de Yale, EUA, reuniram 48 mulheres, entre magras e acima do peso, para testar o quanto ficavam tentadas ao ver um milkshake de chocolate. Após 4 a 6 horas em jejum, as voluntárias olhavam para uma foto da bebida. Somente depois podiam saboreá-la de fato. Nos dois momentos, seus cérebros foram escaneados. Em algumas mulheres, os cientistas observaram um padrão de atividade de neurônios comum também no vício em drogas: a simples sugestão da comida ativava mais o sistema de prazer e recompensa do que ingeri-la propriamente. Essas mulheres tinham uma fissura por comidas calóricas maior do que a normal (já que liberavam mais dopamina nas preliminares) e uma satisfação inferior à média ao abocanhar as gostosuras (quando os químicos de bem-estar vinham menos do que o esperado). Resultado: elas comiam mais como forma de compensação.

O curioso é que esse padrão não foi visto apenas em mulheres obesas, mas também nas magras. “Estar dentro do peso não quer dizer que você não seja viciado em comida”, diz Ashley Gearhardt, pesquisadora do Centro Rudd para Política Alimentar e Obesidade da Universidade de Yale. Algumas pessoas compensam a comilança com dias sem colocar quase nada na boca ou com muito exercício físico, mas correm o risco de ganhar peso mais adiante.
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Sendi Morais
Crédito: Sendi Morais
OS VILÕES
1. BEBIDAS ADOÇADAS >
Nosso corpo não interpreta as calorias dos líquidos como faz com os alimentos sólidos. Sucos, refrescos e refrigerantes saciam pouco e nos fazem comer mais. Quando há adição de açúcar, costuma ser em exagero.
2. GRÃOS REFINADOS > Pão e arroz branco logo viram glicose na digestão. Assim, há pouca diferença entre eles e uma tigela de açúcar puro.
3. BATATAS > São as piores. Rapidamente digeridas, viram glicose. As fritas são ainda mais viciantes, por causa da gordura e pela textura crocante por fora e macia por dentro, que ativam os circuitos de prazer.
4. CARNES > Evite até o fim as processadas (como hambúrgueres e salsichas) . Além da adição de gordura e açúcar, é como se a indústria já fizesse metade da digestão por nós. Macias e desmanchando na boca, só estimulam a comilança.
5. DOCES > Supercalórico, o açúcar é processado pelo corpo em tempo recorde e não deixa você satisfeito. É um dos ingredientes que dispara nosso sistema de vício no cérebro. Misturado à gordura (como em sorvetes) esse efeito é agravado.


 PONTO G DO CÉREBRO
A grande dificuldade em resistir a essas comidas tão saborosas e viciantes é que elas provocam uma verdadeira festa em nossa cabeça, nos fazem liberar químicos do prazer de maneira instantânea. E a sensação de êxtase pode ir além se houver novidade e variedade em seu prato, já que as células cerebrais têm preferência. Algumas respondem ao gosto, outras à textura dos ingredientes, ao seu cheiro, à simples visão ou à temperatura da comida. Os neurônios ligados ao açúcar irão vibrar quando você come um doce, por exemplo. Os que adoram sal vão enlouquecer na presença de uma coxinha. Agora, imagine que você coma um quitute que misture doce, crocante e macio, quente e frio — como um sorvete com calda de chocolate fumegante em uma casquinha de biscoito salpicado por balas coloridas. Diversos neurônios vão acender ao mesmo tempo e fazer uma verdadeira rave em sua cabeça. A sensação é praticamente irresistível, mas cada vez que você cede a ela, só fortalece o vício.

Toda essa comilança chega ao chamado hedonic hot-spot (ponto quente do prazer), uma espécie de ponto G do cérebro que, diferente do ponto G feminino, pode ser encontrado em regiões diversas. “Do tamanho de uma cabeça de alfinete, esses pontos levam a um pico de prazer quando são estimulados por opioides ou endocanabinoides”, afirma o professor de biopsicologia e neurociência da Universidade de Michigan, Kent Berridge. “A combinação de gordura e açúcar é muito mais potente do que os dois ingredientes separados”, diz Keller. Isso explica por que preferimos um brownie suculento a uma colher cheia de açúcar cristal. A somatória de sensações torna o prazer mais potente e a vontade de comer foge do controle. Para piorar, o mundo atual nos empurra para esses desejos o tempo todo.

A evolução que nos levou a fazer de tudo para comer alimentos calóricos, há milhares de anos, não previu que hoje haveria lojas de conveniência e lanchonetes a cada esquina. “O sistema que era útil à sobrevivência humana tornou-se muito perigoso, porque o excesso de consumo leva à obesidade, diabete e alguns tipos de câncer”, afirma o biopsicólogo Gary Beauchamp, diretor do Monell Center, instituto americano de pesquisa em paladar e olfato. Nossos antepassados pré-históricos precisavam armazenar todas as calorias disponíveis. Hoje, a maior parte do tempo estamos expostos a anúncios apelativos de comidas superdoces e gordurosas. Nunca foi tão fácil e barato conseguir salgadinhos e refrigerantes. E a indústria vem tomando proveito das descobertas sobre nosso vício em comida. “Os alimentos vêm sendo alterados com o objetivo de ficarem muito mais estimulantes. Nossa cabeça simplesmente não sabe como reagir a eles e acabamos comendo demais”, afirma Gearhardt.

A pesquisadora diz que a comida está tomando o papel que foi do tabaco há décadas. Quando fumar não era socialmente estigmatizado, o cigarro era fácil de se conseguir e exposto em todo lugar: bares, lanchonetes, supermercados. Com as campanhas contra essa indústria, a exposição diminuiu. O hábito caiu junto, mas abriu espaço para outros vícios. “Dos anos 60 até agora, o peso médio de um americano adulto aumentou 11 quilos”, afirma Linden. Os brasileiros também estão ficando mais cheinhos. Segundo dados do IBGE divulgados em julho, o excesso de peso já atinge metade da população. “Para algumas pessoas poderia ser o álcool, as drogas, o sexo ou a jogatina. Mas o vício socialmente mais aceito hoje certamente é o da comida”, diz Kessler. Afinal, vivemos em busca do prazer — cientificamente falando. Para se livrar de tal vício, que, em diferentes graus, atinge 85% da população mundial, só passando por um programa que o pesquisador chama de reabilitação alimentar.
Sendi Morais
Crédito: Sendi Morais
NEM BOM, NEM RUIM
1 E 2. QUEIJO E MANTEIGA >
Não se esforce para consumir apenas as versões light. Elas não fazem você ser mais magro do que alguém que se esbalda com as versões integrais. Uma fatia gorda de parmesão pode deixar você mais saciado que cottage. E fazê-lo comer menos.
3. VEGETAIS > Frutas e legumes não estão relacionados com perda ou ganho de peso. Mas podem ser uma boa se ocuparem o lugar daqueles alimentos supercalóricos.
4. LEITE > O leite é uma exceção entre as bebidas. Apesar de o cérebro normalmente não encará-las como fonte de caloria, nesse caso, a gordura e a proteína podem deixar você satisfeito antes. Proteínas são o grupo de alimentos que mais saciam.

 FOOD REHAB
Nem pense na dieta da sopa, da Lua, dos carboidratos. Dieta não funciona. “Pode até fazer você perder alguns quilos mas, se depois você retornar ao seu antigo ambiente, seu cérebro volta a disparar o ciclo vicioso e você irá engordar de novo”, diz Kessler. Ele só acredita em uma saída: reprogramar a mente. “Precisamos estabelecer novos circuitos em cima dos antigos, aqueles que são ativados em resposta aos alimentos ricos em gordura, sal e açúcar”, diz. Um dos exercícios para chegar lá é olhar a comida engordativa não como algo saboroso, que trará recompensas. Mas pensar que, a médio prazo, aquele prato fará você se sentir mal, ganhar peso e até ter problemas de saúde. Nada fácil.

Assim como vale mudar o caminho de casa para o trabalho para evitar a lembrança ou um cheirinho tentador, é cauteloso não entrar na cozinha ao chegar em casa. Quando você passa longe das tentações, corta o ciclo de vício pela raiz. Por mais que você pense em um hambúrguer delicioso, se ele não está por perto e não há a menor chance de comê-lo, seu cérebro já não libera tanta dopamina. Logo, você não fica tão fissurado pelo sanduíche. O neurologista da Universidade McGill, no Canadá, Alain Dagher, comprovou isso em fumantes. Ao escanear o cérebro de voluntários, percebeu que os que haviam sido avisados de que receberiam cigarros ao final da sessão liberaram mais dopamina do que aqueles que sabiam que teriam que ficar sem fumar por mais 4 horas depois dela. O segredo, então, é dificultar o acesso às comidas gordas.

Repetir o cardápio todo dia também reduziria a fissura. Em abril, o professor de medicina preventiva da Universidade de Buffalo, Nova York, Leonard Epstein, publicou um estudo que demonstra que monotonia na mesa pode ajudar a perder peso. No experimento, mulheres cumpriam tarefas, como fazer uma palavra cruzada, e eram recompensadas com docinho e um pedaço de queijo. Foram cinco testes com dois grupos. Com o passar das sessões, observou-se que as voluntárias que iam semanalmente ao laboratório continuaram empenhadas em ganhar o queijo e o doce, mas as que frequentavam o local diariamente diminuíram seu desejo. “Elas se habituaram aos sabores e isso reduziu a motivação para comer”, diz Epstein. A tática pode funcionar para qualquer um que queira perder peso. Para não tornar as refeições um tédio, o pesquisador recomenda diminuir a variedade de alimentos ricos em gordura, sal e açúcar e, ao mesmo tempo, aumentar a de vegetais, laticínios e grãos — capazes de nos fazer parar de comer antes.

Sendi Morais
Crédito: Sendi Morais
OS MOCINHOS
1. CASTANHAS >
Apesar de calóricas e gordurosas, podem levar à perda de peso. Além de gerar saciedade mais rapidamente, pouco se sabe sobre o fenômeno. Mas cientistas afirmam que esta é a prova de que o teor de gordura não é o único que se deve considerar na escolha de um alimento.
2. PÃES E GRÃOS INTEGRAIS > Entram na categoria dos alimentos minimamente processados que deixam o trabalho completo da digestão para o seu corpo. Como o serviço leva tempo, garante uma trégua para sua cabeça não pensar em comida.
3. IOGURTE > Esse é o herói do emagrecimento — sim, mais do que vegetais e grãos integrais —, pois ajuda a povoar nosso organismo com bactérias benignas. Cientistas acreditam que quando se tem poucas bactérias benignas no corpo, se engorda (não por acaso, bovinos são tratados com antibióticos para ganhar peso).

 O PARADOXO DA GORDURA
Não adianta contar o número de calorias de um prato. Ingredientes mais calóricos podem, no fim das contas, fazer você emagrecer. É o que demonstra um longo estudo da Universidade de Harvard. Ao longo de 20 anos, os pesquisadores acompanharam os hábitos alimentares e o peso de mais de 120 mil norte-americanos saudáveis e não-obesos. O resultado do estudo, publicado em junho, comprova a tese, repetida pelos nutricionistas: grãos e massas integrais, castanhas e iogurtes nos fazem comer menos porque são eficientes em mandar para o cérebro os sinais de saciedade: sensores em nosso estômago e intestino informam à nossa cabeça os níveis de nutrientes já ingeridos e o quanto nossos órgãos digestivos já estão cheios. A gordura entraria nessa categoria de nos satisfazer rapidamente, exceto pelo fato de que ela demora demais a enviar à nossa cabeça a mensagem de que já nos alimentamos o suficiente. Nesse meio tempo, continuamos a comer. É o chamado paradoxo da gordura: ela sacia mas, ainda assim, nos faz comer mais.

A descoberta dos pesquisadores americanos e italianos sobre a liberação no intestino de endocanabinoides pode ajudar a entender essa contradição. Afinal, especulam os cientistas, esses químicos similares aos da maconha são os que prejudicam o envio dos sinais de saciedade ao cérebro. A nova pesquisa também abre perspectivas para a criação de remédios que bloqueiem essas substâncias e, assim, nos façam comer menos. “Foi a primeira vez que um estudo mostrou que é possível inibir os endocanabinoides no intestino, ou seja fora do cérebro, eliminando possíveis efeitos colaterais psíquicos”, afirma DiPatrizio. A hipótese foi testada em ratos, mas ainda está longe de fazer você poder se esbaldar na comilança sem se preocupar com os quilos extras.

Enquanto gordura, sal e açúcar ainda deixam você na fissura, o melhor é investir no programa de reabilitação alimentar. Resista à tentação das comidas supergordas e incrivelmente sedutoras e aposte nos pratos que vão deixá-lo satisfeito por mais tempo. Grãos integrais e alimentos cheios de fibras, como frutas e legumes, farão você passar mais horas sem comer após uma refeição. Sim, não é fácil ir contra nossa tendência natural a ter cabeça de gordo. De vez em quando você terá recaídas. Mas, aos poucos, pode conseguir reprogramar sua mente. E verá que nada garante tantos quilos a menos como ter uma cabeça de magro.
Sendi Morais
Crédito: Sendi Morais