Tire suas dúvidas sobre o Qsymia, novo remédio para emagrecer
1. Como a fentermina e o topiramato agem isoladamente?
2. Quais as vantagens da combinação das duas drogas?
3. Para quem o Qsymia é indicado?
4. Como ele age no organismo do paciente?
5. O Qsymia tem efeitos colaterais?
6. Quais os resultados esperados?
7. Quanto tempo dura o tratamento?
8. O peso se mantém, caso o paciente interrompa o tratamento?
Victoza causa polêmica ao ser usado para emagrecer
As pesquisas ainda não validam o uso do remédio para diabetes no combate à obesidade
Polêmicos e encarados como solução preguiçosa no caso de quem precisa eliminar poucos quilos, os medicamentos ainda aparecem como alternativa na lista de muita gente que procura ajuda para entrar em forma. E um deles tem chamado a atenção desde que teve seu lançamento aprovado no Brasil: batizada de Victoza e inicialmente voltada ao tratamento de diabetes tipo 2, a droga tem sido receita com sucesso no controle do sobrepeso.
O segredo da fórmula estaria na regulação das taxas de glicose presentes no sangue, tornando a digestão mais lenta e, dessa maneira, prolongando a saciedade.
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Os médicos que receitam o Victoza para o tratamento da obesidade estão assumindo riscos desconhecidos até pelo fabricante. Isso porque ainda não existem estudos mostrando a ação da droga em pacientes que não sofrem com taxas elevadas de glicose no sangue, como acontece com pacientes de diabetes.
Outra questão em xeque é a dosagem: a ingestão de liraglutide (princípio ativo do medicamento) indicada para o emagrecimento é quase o dobro da sugerida para o controle do diabetes. "Ninguém analisou os riscos do medicamento nesta dosagem e, menos ainda, em obesos não diabéticos", afirma a endocrinologista Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO).
Estudos clínicos realizados pela Anvisa, no entanto, mostram que hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia são efeitos colaterais previstos - mais raros, pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireóide, incluindo a formação de papa no pescoço causada pelo aumento da glândula, também podem acontecer. "E, no caso do Victoza, sabemos que quanto maior a dose de remédio consumida, maiores a intensidade e a combinação de efeitos colaterais possíveis". Não são conhecidas as conseqüências do uso de longo prazo.
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O liraglutide, substância presente no Victoza, age no organismo da mesma forma que um hormônio chamado glucagon-like peptídeo (GLP-1), naturalmente produzido pelo corpo de pessoas saudáveis. "Essa substância estimula as células beta do pâncreas a produzirem insulina e balancear o índice glicêmico. Nas pessoas com diabetes, a produção de insulina é deficiente", explica o endocrinologista Gregório Lima de Souza, do Centro de Pesquisa em Diabetes da Unesp.
Seguindo a lógica, quanto mais elevado for o volume de glicose circulando no sangue, maior o estímulo à produção de insulina, controlando o diabetes. O Victoza também age nos sentido inverso, ou seja, diminuindo os índices de glicose no sangue - em vez de aumentar a produção de insulina. Esta última função é a exata correspondente do liraglutide no organismo e, até agora, a única finalidade do medicamento com eficácia comprovada em pesquisas feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As recomendações do Victoza para o emagrecimento começaram a acontecer quando os médicos notaram que fórmula, além de atuar no controle do diabetes, age no sistema nervoso central, estimulando o neurônio responsável pela nossa sensação de saciedade. "O Victoza ainda interfere no funcionamento do trato digestivo, reduzindo o esvaziamento gástrico", afirma a endocrinologista Rosana Radominski, da Abeso. "Com isso, pessoas com diabetes que tomam o medicamento sentem menos fome e acabam perdendo peso. O estômago permanece cheio por mais tempo", explica.
Como o Victoza prolonga a saciedade, ele pode ajudar na reeducação alimentar, mas é necessário rever os hábitos alimentares também.
As descobertas obtidas na prática clínica, no entanto, andam instigando os especialistas. A Abeso explica que está sendo desenvolvido um estudo, previsto para ser finalizado em um ano, capaz de provar se o medicamento realmente pode ser usado contra obesidade sem riscos de efeitos colaterais graves. Uma avaliação preliminar, feita com cerca de 6.500 pessoas de diferentes países, mostrou que a prescrição do medicamento, aliada à reeducação alimentar, provoca a perda média de 7kg em cinco meses.
A terceira fase do estudo, em andamento no Brasil e em mais 26 países, tem participantes obesos com pressão alta, dislipidemia (excesso de gordura no sangue) e pré-diabetes. Dos resultados observados, vão sair as orientações para a prescrição segura e eventual autorização para venda em casos de obesidade sem complicações associadas. A seguir os especialistas tiram as principais dúvidas que surgem nos consultórios quando o assunto é Victoza.
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É possível que isso aconteça, porque o medicamento reduz a ingestão alimentar. "A dieta com menos carboidratos reduz o consumo de glicose, fonte energética muito importante para a função muscular e cerebral", explica Rosana.
O uso deste medicamento em pessoas com diabetes e que já consumam outras drogas ainda pode acarretar hipoglicemia, pois o Victoza melhora a função pancreática. ?Os sintomas de hipoglicemia incluem sudorese, palpitação, redução da consciência e fraqueza?, diz a especialista. Nestes casos, há a necessidade da redução da dosagem dos outros medicamentos.
2. Qual a diferença entre ele e a sibutramina?
Sibutramina é um medicamento utilizado para o emagrecimento e age inibindo a reabsorção de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e dopamina. Estas ações promovem o aumento da saciedade e reduzem o gasto energético que acompanha a perda de peso.
A sibutramina é uma alternativa dos médicos para pacientes obesos que não conseguirão atingir a meta de perda de peso somente com dieta e exercícios. O Victoza, por enquanto, é indicado apenas para portadores de diabetes tipo 2, com o objetivo de proporcionar o aumento da saciedade e ajudar no metabolismo da glicose.
Sim. Os estudos mostram que pessoas com diabetes que começaram a tomar o Victoza perderam uma média de 7kg em cinco meses.
4. Ele reverte (cura) casos de pré-diabetes?
Essa finalidade ainda não foi comprovada em pesquisas. "Os estudos estão em andamento. Vão durar ainda 3 anos para termos esta resposta", diz Rosana.
5. Tem algum efeito relacionado à menopausa?
Não existe nenhuma descrição de efeito ou contraindicação relacionada à menopausa. Porém, o medicamento não deve ser usado por gestantes porque pode trazer riscos so desenvolvimento do bebê.
6. Quem faz reposição hormonal pode tomar?
Sim, não existe nenhuma contraindicação para esses casos.
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"A cirurgia traz mudanças que vão além daquelas provocadas pelo uso do medicamento. Não dá para comparar os dois métodos", afirma o endocrinologista Gregório. A perda de peso com a medicação varia entre 5 a 12 kg, e a cirurgia bariátrica é indicada quando a necessidade de perda de peso é muito maior ? no caso, mais de 20% do peso da pessoa.
8. Em quanto tempo o efeito aparece?
É variável. Porém, de acordo com os especialistas, os efeitos surgem logo após a primeira aplicação. "Mas há um limite. As melhores respostas ocorrem nos primeiros seis meses. Após esta fase, o remédio contribui para a manutenção do peso", explica Rosana.
9. Ele educa o apetite? Ou regula só enquanto é tomado?
Não. O que educa apetite é a reeducação alimentar, independente do medicamento em uso.
10. É mais fácil fazer reeducação com o Victoza?
Como o Victoza prolonga a saciedade, ele pode ajudar na reeducação alimentar, mas é necessário rever os hábitos alimentares também e uma nutricionista pode ajudar.
Existe o exenatide, ou Byetta, com finalidade e uso similares. Ele é uma versão sintética do hormônio exendina-4, com propriedades parecidas com a do GLP-1 humano. Sendo, portanto, um regulador da glicose e dos níveis de insulina.
12. O Victoza substitui a polêmica cirurgia para diabetes?
Os especialistas afirmam que os dois métodos são ferramentas diferentes de tratamento e podem inclusive serem usadas juntas. A prescrição de ambas, entretanto, ainda precisa de mais estudos capazes de avaliar os efeitos a longo prazo.
13. Pacientes obesos com diabetes tipo 1 podem tomar Victoza?
O medicamento não está aprovado para o tratamento do diabetes tipo 1, pois não existem efeitos associados à produção de insulina, carência dos portadores desse tipo de diabetes. Portanto, o medicamento é indicado apenas para portadores de diabetes tipo 2.
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